Boa noite, senhoras e senhores
Essa palestra, de tema "O lado oculto das coisas: Como nÓs influenciamos a nÓs mesmos", tem por base a terceira seção do livro "O LADO OCULTO DAS COISAS", de Charles Webster Leadbeater (Londres, Inglaterra, 1847-02-17-Perth, Austrália, 1934-03-01), em sua edição brasileira, da Editora Pensamento.

A palestra estudará pelo menos parte dos seguintes tópicos:
1 - Nossos hábitos - alimentação, licores intoxicantes, alimentação de carne, o fumo, drogas, higiene, higiene oculta, exercício físico, a leitura e o estudo, método e perfeição, leitura de jornais e novelas, a conversação, a meditação.
2 - Ambiente físico - as casas, as ruas, os quadros, curiosidades, livros, o mobiliário, as jóias, talismãs, os objetos que trazemos conosco, o dinheiro, o vestuário.
3 - Condições mentais - formas-pensamento, estados de espírito, pensamentos que se repetem, a paixão amorosa, flores não-fecundadas, ocultismo e casamento, as mudanças em nossa consciência.
4 - Nossos divertimentos - jogos infantis, esporte, a pesca, corridas de cavalos, o jogo, o teatro.

Comecemos pelo estudo de nossos hábitos.
"Que o homem não é realmente o que lhe entra pela boca, senão o que dela sai - eis uma sentença atribuída a Cristo. Tenha Ele pronunciado ou não essas palavras, certo é que o homem pode ser gravemente maculado pelo que introduz em seu corpo por intermédio da boca." - Assim está no primeiro parágrafo do caítulo XIV do livro.

Todas as coisas físicas possuem sua parte etérica e sua contra-parte astral. Assim é com nossos alimentos. E tanto essa parte etérica quanto a contra-parte astral nos influenciam em maior ou menor grau. Uma parte dessas energias sutis é parte intrínseca do alimento; outra parte é agregada pelo seu preparo. A ação do fogo sobre o alimento está limitada a essa parte agregada e somente sobre a energia etérica do alimento, não afetando sua parte astral. Quem prepara, manuseia, o alimento, agrega a ele seu magnetismo, o qual pode ser parcial ou totalmente eliminado pelo fogo. Se o indivíduo está pensando em coisas boas, ou em nada em particular, o efeito sobre o alimento é bom, ou nulo. Porém, se o indivíduo tem pensamentos negativos durante o preparo do alimento, esse fica impregnado negativamente e vai assim afetar aquele que o ingerir. Por outro lado, o magnetismo inerente ao alimento não será afetado no seu preparo. Um exemplo clássico é a carne: o cozimento desta, por mais longo que seja, não retirará dela a sua carga negativa, o sofrimento do animal, seu ódio por estar sendo usado pelo ser humano.

Também somos afetados pelo que nos cercam e pelo ambiente, no ato de comer. Assim sendo, comer num restaurante, publicamente, nos coloca em contato com várias influências simultâneas, normalmente nada benéficas. O ideal é sempre comermos a sós, ou no seio de nossa família, longe de olhos estranhos.

Os talheres e louças usados na alimentação também ficam impregnados do magnetismo daqueles que os preparam e os usam. Desta forma, o ideal é que cada um de nós tenha seus talheres e louças pessoas, não os compartilhando com mais ninguém. Se isso não for possível, podemos fazer a desmagnetização dessas peças, com passes sobre elas, concentrando nosso pensamento nesse instante, e impregnando os objetos com nossa própria energia pessoal, a qual expulsa a energia de terceiros. É ato simples e rápido, após adquirirmos a prática e pode ser efetuado discretamente.

O uso de bebidas alcoólicas ou semelhantes é de todo inconveniente, pois nos induz a vibrar em baixa faixa, nos tornando sensíveis a influência de seres e elementais dos piores tipos. A visão clarividente de um ébrio é um verdadeiro pesadelo de seres monstruosos, alguns humanos, outros não. Esses seres se alimentam das emanações etéricas e astrais provenientes da bebida e dos corpos do bébado. Esses seres buscam sempre influenciar o indivíduo a prosseguir no seu vício, para preservarem a fonte de tais emanações.

A carne é um dos alimentos mais impregnados de energias negativas, pois tem, por natureza, a energia do animal do qual foi retirada, energia essa da natureza do próprio animal e de seus sentimentos e pensamentos por ser usado na alimentação humana. Quanto mais cruel for o tratamento e a morte desse animal, mais negativa é a energia da carne. A visão astral e etérica de um açougue, de um abatedouro e de todos os lugares onde se armazenam a carne, é de um horror dantesco. Gerações e gerações de animais ali deixa sua energia negativa, seu sofrimento, seu desespero, seu ódio.

Os animais são nossos irmãos espirituais. Antes de nós encarnarmos como espíritos humanos, éramos espíritos animais, encarnando em corpos animais. Num sentido espiritualista, comer carne é canibalismo. E uma das piores coisas que se pode dizer sobre o uso da carne é que se trata de partes de cadáveres em estado de decomposição e precisamos utilizar produtos químicos e baixas temperaturas para retardar essa decomposição. É horrível ler isso, mas é a mais pura verdade.

A melhor alimentação para o ser humano é a vegetariana aliada a produtos de origem animal que não tenham sido obtidos pelo sofrimento destes e nem com o uso de seus cadáveres. É o caso do mel de abelhas e do leite. De qualquer forma, quanto menos ingerirmos produtos de origem animal, melhor para nossos corpos e nossos karmas individual e coletivo. Alimentos de origem vegetal e mineral possuem menos energia capaz de nos influenciar negativamente e ao mesmo tempo estão mais próximos das fontes superiores de energia, as quais são menos alteradas no metabolismo deles, na natureza.

O hábito do fumo é outra fonte de energias ruins. Além de tudo que se divulga a respeito de seus malefícios ao Corpo Físico, temos seus malefícios etéricos e astrais. As vibrações do fumo entorpecem nossa sensibilidade em vários graus. Mais pernicioso ainda que o hábito do fumo é o hábito das drogas. Maconha, cocaína, LSD, ópio, tudo isso traz danos tanto físicos quanto astrais.

Cabe frisar aqui: tudo que existe no Plano Físico tem sua contra-parte nos Planos Astral e Mental. E o que é impuro no Plano Físico é igualmente impuro nos Planos Astral e Mental. O que está em cima é igual ao que está em baixo. Essa é a Lei oculta.

A higiene física tem seus reflexos nos nossos corpos sutis. Não é possível sermos puros astralmente e mentalmente se não o formos fisicamente. O hábito do banho diário também limpa, por vibração simpática, nossos Corpos Astral e Mental. E o ambiente físico limpo reflete-se num ambiente astral e mental mais limpo, embora não seja uma regra ao pé da letra, pois mesmo num ambiente físico extremamente limpo podemos ter energias astrais e mentais negativas. Em todo caso, a limpeza física é a base sem a qual não há como termos limpeza astral e mental. O exercício físico adequado mantém nosso veículo físico em bom estado e é pré-requisito para tarefas ocultas mais complexas.

Nenhum estudante do Oculto pode desenvolver adequadamente suas práticas ocultas se seu veículo físico não estiver em bom estado. Dessa forma, devemos dar a nosso corpo físico tudo que for necessário à sua boa saúde e manutenção. Bons hábitos, boa alimentação, bom ambiente. Devemos fugir de mortificações e auto-flagelamento, pois isso em nada nos ajuda a evoluirmos, muito pelo contrário.

Nossos hábitos mentais são tão importantes quanto nossos hábitos físicos. Ler, ver televisão, assistir teatro, cinema, ouvir música, tudo isso implica em mantermos nossas mentes em determinada faixa de freqüência. O hábito cultivado gera resultados a longo prazo. Mesmo o hábito que parece algo secundário, traz resultados a longo prazo. É tudo uma questão de acumulação energética.

A influência do ambiente físico: Onde residimos, onde estudamos, onde trabalhamos, onde nos divertimos. Até mesmo nossos meios de transporte. Em todos esses ambientes temos uma atmosfera mental e astral que é afetada continuamente por cada um dos indivíduos que por ali passam. Essa interinfluência é constante em nossas vidas. Ela nunca se interrompe´por um instante sequer. Se estamos conscientes disso, podemos evitar as energias que possam nos afetar negativamente, seja não freqüentando os locais dela, seja não comparecendo neles regularmente, seja nso protegendo quando por ali estivermos.

Até mesmo os objetos que nos cercam possuem influência. Tudo possui um campo energético, uma aura, que interage com nosso campo energético, com nossa aura. E um objeto qualquer sempre se impregna da energia do ambiente em que etá, levando essa influência consigo, quando é deslocado para outros ambientes.

O dinheiro, seja em papel ou moeda, é uma fonte constante de influência negativa, pois é manuseado por incontáveis pessoas e delas recebe suas energias. A aura do dinheiro é resultante de todas as influências recebidas dos que os manuseia; todos os sentimentos ruins de cada indivíduo que manuseia o dinheiro os impregna. Devemos manter o dinheiro fisicamente afastado de outros objetos de nosso uso, sempre que possível. E sempre que possível, devemos desmagnetizar ele o quanto for possível, diminuindo sua energia ruim.

Nossas roupas: a influência de nossas roupas não se limita à sua cor e forma. A própria origem delas tem sua influência. Quem as confeccionou e manuseou até chegar em nossas mãos. E a manutenção que damos a elas igualmente as influencia.

As influências mentais e astrais: Nossos pensamentos são tanto em forma de onda quanto em forma específica ao objeto pensado, quando concreto. São, nesse último caso, "formas-pensamento", um termo muito usado na literatura especializada.

"Vivemos mergulhados num oceano mental." - Quantas vezes lemos e ouvimos essa expressão (ou suas variantes)? Devemos acreditar nela ao pé da letra. É exatamente isso que existe no Plano Mental. Um verdadeiro "oceano" de energia/matéria mental. Mas esse Plano Mental possui leis físicas e químicas próprias. A lei fundamental é a da simpatia/harmonia. O semelhante atrai o semelhante, e o intensifica. Quantas vezes somos tomados por um pensamento que nos aparece do nada? De onde esse pensamento provém, se nada pensávamos sobre o tema instantes antes dele nos surgir na mente? Esse pensamento vem do "oceano mental" em que nosso Corpo Mental está mergulhado. Nem sempre é nosso, realmente. Na verdade, bem poucos pensamentos que pensamos são efetivamente nossos. Isso é uma regra que vale para todos os indivíduos que não dominam suas mentes (a esmagadora parte da humanidade, de fato). Precisamos cultivar a disciplina mental. Precisamos aprender a trabalhar nossa concentração. Precisamos aprender a meditar. É o único caminho para o controle mental e para evitar que sejamos tomados a cada instante por pensamentos que não são nossos, mas que nos influenciam profundamente.

Muito do que consideramos ser nosso hábitos e nossas crenças não passa de influência de pensamentos alheios. Vivemos influenciados pelas marés mentais, pelos seus vagalhões, pelas suas tempestades e pelas suas calmarias. A "meteorologia do Plano Mental" é um assunto de sutil complexidade. Mas é real. Absolutamente real. Por mais sutil que seja, pos mais subjetiva que aparente ser.

Nossos sentimentos são reflexo de nossas atividades no Plano Astral, com nossos Corpos Astrais. Há uma profunda e inevitável interinfluência entre as energias mentais e as energias astrais (isso, claro, para os indivíduos medianamente evoluídos e os indivíduos menos evoluídos). Quando somos dominados por um sentimento forte, como a paixão, há um verdadeiro turbilhão mental e astral à nossa volta. O Corpo Físico reflete isso e ao mesmo tempo amortece isso. Quando desencarnados, sem o amortecimento produzido pelo veículo físico, esse turbilhonar de energias astrais e mentais, desencadeados por nossas paixões, é fantasticamente mais violento. A paixão mútua de um casal pode ser entendida como uma "harmonia" mútua desse turbilhão de energias astrais e mentais. Mas como toda tempestade física, pode produzir estragos.

Por fim, estudemos nossas diversões. A qualidade delas e sua prática mais ou menos intensa nos afeta profundamente e pode desencadear aqueles "turbilhões astrais e mentais". Nossas diversões desde a infância até a maturidade podem ser vistas, segundo uma certa filosofia, como o objetivo da vida (essa teoria é estudada e desenvolvida no livro "A ética dos hackers e o espírito da era da informação: a importância dos exploradores da era digital", de Pekka Himanen, Editora Campus, 2001).

Após suprirmos todas as nossas necessidades materiais, o que ocupa mais nosso tempo é a diversão, o lazer. Mas para o ocultista, a vida não tem esse objetivo. Há a evolução espiritual, como objetivo máximo da vida. Mas buscar a evolução espiritual, para a maioria dos espíritos, não é se isolar na caverda ou no deserto, pois cada um tem uma conta de karma e aprendizado a cumprirmos, vida a vida. E nosso lazer é uma ferramenta útil para evoluirmos, se o utilizarmos de forma sensata e compatível com nosso grau de evolução.

Devemos evitar, como seres conscientes da necessidade de evoluir espiritualmente, práticas como caça e pesca; práticas como boxe e outros esportes violentos. Assim como devemos evitar a prática de apostar em corridas de cavalos, rinhas de aves e outros animais e qualquer tipo de aposta em atividade violenta. Devemos, sempre, buscar o lazer em atividades que jamais agridam outros seres vivos.

Quando buscamos o lazer nas artes dramáticas, devemos evitar o que nos leve a baixas vibrações, com incitamento à violência. Devemos preferir o bom teatro, o bom cinema, a boa televisão. Sei que atualmente estamos extremamente mal servidos pela televisão. Então é preferível desligar o televisor e buscar algo de melhor nível para ocupar nosso tempo de lazer. É tudo uma questão de hábito, de condicionamento.

Para finalizar, reproduzo pequeno trecho de um livro budista:
"O homem crê naquilo que se ensina a ele. Os pensamentos, sendo coisas, podem ser plantados como sementes na mente da criança e dominar por completo o seu conteúdo mental. Sendo o solo favorável à vontade de crer, as sementes de pensamento - sejam boas ou más, puras superstições ou verdades compreensíveis - se enraízam, florescem e fazem do homem aquilo que ele é mentalmente." in O Livro Tibetano dos Mortos, org. de W. Y. Evans-Wentz, Editora Pensamento. Página 23, Introdução.


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