Boa noite ,e que a Luz do Mestre possa estar em nós. A Reflexão dessa noite, será “O Poder da Prece”. Quero agradecer a oportunidade em aprender com todos vocês.

Ao iniciarmos uma doutrinária fazemos uma prece, ao encerrarmos fazemos uma prece, para os trabalhos de passe fazemos uma prece, ao deitarmos fazemos uma prece, ao levantarmos fazemos uma prece, fazemos uma prece nos momentos alegres; e oramos também nos momentos de aflição. A Prece forma o campo do pensamento puro e toda construção respeitável, começa na idéia nobre.

A Oração dentro de nós em lutas com as sombras assemelha-se à lâmpada que se acende em uma casa desarrumada; a presença da luz não altera a situação do ambiente sujo e nem remove os detritos acumulados no recinto
doméstico,entretanto,mostra sem alarde o serviço que se deve fazer. Assim, acontece com o nosso interior. No campo espiritual, se não limparmos o nosso psiquismo, os espíritos luminosos se afastam(mesmo que temporariamente), favorecendo a ação de espíritos endurecidos.

Conceito de Prece.

Muito se tem dito a respeito da prece, mas muito pouco ainda conhecemos do seu mecanismo de funcionamento. Por isso mesmo, pouco a valorizamos, e por vezes até a esquecemos.
Poderíamos dizer que a prece é uma projeção do pensamento, a partir do qual irá se estabelecer uma corrente fluídica cuja intensidade dependerá do teor vibratório de quem ora, e nisto reside o seu poder e o seu alcance, pois nesta relação fluídica o homem atrai para si a ajuda dos Espíritos Superiores a lhe inspirar bons pensamentos. Por que pensamentos? Porque são a origem da quase totalidade de nossas ações. (Primeiro pensamos depois agimos).

Podemos dizer também, que é um impulso do coração, um simples olhar dirigido para dentro de nós. Ou um grito silencioso de agradecimento e amor, tanto ao meio de sofrimento,como ao meio da alegria. Eu digo sempre que a Prece, é algo grande, que dilata a alma e une ao Mestre, é água da vida e fonte de poder e sabedoria.

Prece, atitude ou palavra? É tanto uma como a outra , dependendo do momento do espírito. Podemos exemplificar assim: assemelha-se a uma canção, música e letra, ao ouvirmos uma canção podemos nos comover com a melodia e outras vezes com a poesia da letra, ou ficarmos embalados pelas duas.
Devemos ser sensitivos a música da Prece, o seu Eu interior deve sentir o seu efeito. E não ser como o piano, do qual possam surgir as mais suaves melodias sem que nele mesmo, seja produzido a consciência da sensação .

Devemos lembrar, que para a ação da Prece, não importa o nome pela qual é chamada ou conhecida: Prece=oração=reza=rogo=súplica, nos vários círculos religiosos, caracterizando-se amor infinito em suas manifestações, porque , existem crentes de todos os matizes nos vários cursos de fé e bem aventurado é o lugar a casa e o coração , bem aventurada a cidade, a montanha, o refúgio, a caverna, o vale, a terra, o mar, o prado , a ilha onde se tenha feito a menção ao Mestre e celebrado seu louvor.

Porque e como devemos Orar ou qual a nossa motivação para a Oração.
Assim como quem ama expressa seu amor a pessoa amada, a criatura (nós) sente o desejo de expressar esse sentimento ao Criador, O Mestre. Iluminar o coração, transformando-se em espíritos esclarecidos com a fragância da palavra emanada dos lábios ,o que fará vibrar o íntimo de todo Ser em busca de paz e justiça. Embora o efeito possa passar despercebido a princípio, cedo ou tarde,a virtude da graça que nos foi concedida, exercerá influência em nós espíritos encarnados e aos espíritos desencarnados. Tanto o fogo como o paraíso se curvam se prostram diante do Mestre. O que é digno de sua essência é adorá-lo por amor, sem medo do fogo e nem esperança do paraíso. Quando oferecemos a oração verdadeira, aquela com a espiritualidade aflorada e com ardor, não precisamos prolongá-la, não tem sentido e nem é estimada pelo Mestre. Quanto mais desprendida e pura, aliviará nosso espírito e será ouvida pelo Senhor.

• Louvar é enaltecer os desígnios de Deus sobre todas as coisas, aceitando-O como Ser Supremo, causa primária de tudo o que existe, bendizendo-Lhe o nome.

• Pedir é recorrer ao Pai Todo-Poderoso em busca de luz, equilíbrio, forças, paciência, discernimento e coragem para lutar contra as forças do mal; enfim, tudo, desde que não se contrarie a lei de amor que rege e sustenta a Harmonia Universal.

• Agradecer é reconhecer as inúmeras bênçãos recebidas, ainda que em diferentes graus de entendimento e aceitação: a alegria, a fé, a bênção do trabalho, a oportunidade de servir, a esperança, a família, os amigos, a dádiva da vida.

As preces devem ser feitas diretamente ao Criador, mas também pode ser-Lhe endereçada por intermédio dos bons Espíritos, que são os Seus mensageiros e executores da Sua vontade.

Quando se ora a outros, perdão pelos seus erros, só o obtêm mudando sua conduta na prática do bem. Deste modo, as boas ações são a melhor prece, e por isso os atos valem mais do que as palavras. Seres além de Deus, são simplesmente como intermediários ou intercessores, pois nada se pode obter sem a vontade de Deus.
O essencial é orar com sinceridade e aceitar os próprios defeitos, porque a prece não redime as faltas cometidas; aquele que pede a Deus.

Deve-se considerar, também, que nem sempre aquilo que o homem implora corresponde ao que realmente lhe convém, tendo em vista sua felicidade futura. Deus, em Sua onisciência e suprema bondade, deixa de atender ao que lhe seria prejudicial.

Em Mateus C26:V39, há a passagem amarga do Cristo, que antecedia as suas dores supremas no calvário , onde Ele nos diz: “ Pai, se quiserdes, afasta de mim este cálice, mas acima de tudo faça-se a Tua vontade e não a minha”.
Demonstrava-nos o Mestre que as Leis Naturais são sábias e justas e que são aplicadas indistintamente. Assim, não peçamos “milagres ou prodígios”, mas tão somente forças para suportar aquilo que não está ao nosso alcance mudar, paciência, resignação, fé e coragem.

Assim, a condição da prece está no pensamento reto, podendo-se orar em qualquer lugar, a qualquer hora, a sós ou em conjunto, em pé, deitado, de luz acesa ou apagada, de olhos abertos ou fechado; desde que haja o recolhimento íntimo necessário para se estabelecer a sintonia harmoniosa. Por isto a importância do sentimento amoroso, humilde, piedoso, livre de qualquer ressentimento ou mágoa, dessa maneira o homem irá absorver a força moral necessária para vencer as dificuldades com seus próprios méritos.

Eficácia da Prece.

Existem aqueles que contestam a eficácia da prece, alegando que, pelo fato de Deus conhecer as necessidades humanas, torna-se dispensável o ato de orar, pois sendo o Universo regido por leis sábias e eternas, as súplicas jamais poderão alterar os desígnios do Criador. No entanto, o ensinamento de Jesus vem esclarecer que a justiça divina não é inflexível a ponto de não atender os que lhe fazem súplicas. Ocorre que existem determinadas leis naturais e imutáveis que não se alteram segundo os caprichos de cada um. Porém, isso não deve levar à crença de que tudo esteja submetido à fatalidade. O homem desfruta do livre-arbítrio para compor a trajetória de sua encarnação, pois Deus não lhe concedeu a inteligência e o entendimento para que não os utilizasse.

Existem acontecimentos na vida atual aos quais o homem não pode furtar-se; são conseqüências de falhas e deslizes do passado que necessitam de reajustes; é a aplicação da Lei de Causa e Efeito e isto explica porque alguns alegam que pedem benefícios a Deus, mas que nunca são concedidos; o que parece, a princípio, contrariar o ensinamento de Jesus citado em Marcos C11:V24 “O que quer que seja que pedirdes na prece, crede que obtereis, e vos será concedido”.

Muitas coisas que na vida presente parecem úteis e essenciais para a felicidade do homem, poderão ser-lhe prejudiciais e esta é a razão por que elas não lhe são concedidas. Contudo, o egoísmo e o imediatismo não permitem que ele perceba com exatidão a eficácia da prece. Porém, seus efeitos ocorrem segundo os desígnios divinos: a curto prazo na medida em que consola, alivia os sofrimentos, reanima e encoraja; a médio e longo prazo porque pelo pensamento edificante dá-se a aproximação das forças do bem a restaurar as energias de quem ora.

Àquele que pede, Deus está sempre pronto a conceder-lhe a coragem, a paciência, a resignação para enfrentar as dificuldades e os dissabores inerentes à natureza humana, com idéias que lhes são sugeridas pelos Espíritos benfeitores, deixando-lhes contudo o mérito da ação, e isto porque não se deve ficar ocioso à espera de um milagre, pois a Providencia Divina sempre ampara os que se ajudam a si mesmos, como asseverou o Mestre: “Ajuda-te e o céu te ajudará” (ESE, Cap. 27, item 7).

Portanto, de tudo o que foi dito anteriormente, podemos concluir que a eficácia da prece está na dependência da renovação íntima do homem, em que deve prevalecer a linguagem do amor, do perdão e da humildade para que ele possa assim, de coração liberto de sentimentos negativos, agradecer a Deus a dádiva da vida.
E para os nossos amigos... nesta sala de luz e harmonia , uma oração de busca, reforma íntima e muitas vezes desesperança. Mas, é o caminho.

Se eu quiser falar com Deus //Gilberto Gil.

Se eu quiser falar com Deus/ Tenho que ficar a sós/ Tenho que apagar a luz/ Tenho que calar a voz/ Tenho que encontrar a paz/ Tenho que folgar os nós/ Dos sapatos, da gravata/ Dos desejos, dos receios/ Tenho que esquecer a data/ Tenho que perder a conta/ Tenho que ter mãos vazias/ Ter a alma e o corpo nus/ Se eu quiser falar com Deus/ Tenho que aceitar a dor/ Tenho que comer o pão/ Que o diabo amassou/ Tenho que virar um cão/ Tenho que lamber o chão/ Dos palácios, dos castelos/ Suntuosos do meu sonho/ Tenho que me ver tristonho/ Tenho que me achar medonho/ E apesar de um mal tamanho/ Alegrar meu coração/ Se eu quiser falar com Deus/ Tenho que me aventurar/ Tenho que subir aos céus/ Sem cordas pra segurar/ Tenho que dizer adeus/ Dar as costas, caminhar/ Decidido, pela estrada/ Que ao findar vai dar em nada/ Do que eu pensava encontrar.

Bibliografia:
O Evangelho segundo Espiritismo.
Livro dos Espíritos/
Leituras diversas e Site Luz e Vida.

 

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