Preliminarmente esclareço que a presente palestra tem por base um texto de Teosofia e se restringe a ser uma análise teosófica, não levando em conta pontos de vista de outras escolas ocultistas e religiosas.

Na parte dos debates apresentarei explicações basicamente apenas dentro do ponto de vista teosófico, só considerando outro ponto de vista de forma suplementar.

Em segundo lugar, consideremos que a palestra é um estudo e não significa que o palestrante seja membro de qualquer entidade vinculada ao tema da palestra (ou temas semelhantes) ou dessas faça apologia. E nem significa que o palestrante seja modelo de comportamento do tema da palestra ou do Budismo e da Teosofia (temas prediletos) ou se proponha a sê-lo. Esse é um estudo de um estudante do Ocultismo, voltado para leigos e interessados no tema. Como espíritos em evolução, não somos "perfeitos" e não devemos cobrar "perfeição" nem de nós mesmos e nem de nossos semelhantes. A postura correta é buscar remar a favor da evolução, mas sem cobranças de perfeccionismos a nós ou aos outros. Dessa forma, a palestra é uma pequena contribuição do palestrante para todos os que desejam remar a favor de sua evolução.

Em terceiro lugar, não cabe no ambiente dessa sala considerações a respeito do comportamento, em outras salas virtuais, do palestrante ou das senhoras e senhores presentes. Na exata medida em que essa é uma sala de estudo e harmonia espiritualizados, deixemos de fora dela os assuntos estranhos a tais estudos e harmonias.

Em quarto lugar, a palestra, sendo baseada em um livro bastante extenso, não pretende resumir ele integralmente. E, por conseguinte, não pretende esgotar sua temática. Dentro dos estreitos limites de espaço e tempo de uma palestra em sala virtual, procurei agregar desenvolvimento suficiente para desencadear nos presentes um interesse posterior sobre seu tema, levando-os a um aprofundamento por meio de leituras e estudos.

Consideradas essas premissas fundamentais, vamos à palestra propriamente dita.

Dando continuidade à série de palestras baseada no livro "O lado oculto das coisas" (um texto de Teosofia prática), de Charles Webster Leadbeater (Londres, Inglaterra, 1847-02-17, Perth, Austrália, 1934-03-01), Editora Pensamento, São Paulo, apresento hoje a terceira e última parte. A primeira palestra teve como tema: "O lado oculto das coisas: como nós somos influenciados". A segunda palestra teve como tema: "O lado oculto das coisas: como nós influenciamos a nós mesmos". A terceira palestra, de hoje, tem como tema: "O lado oculto das coisas: como nós influenciamos os outros".

Nas palestras anteriores examinamos as influências a que estamos sujeitos, e como, por meio de reações despercebidas por nós, nos estamos constantemente influenciando a nós mesmos.

Tratemos agora da terceira grande divisão do nosso assunto, como influenciamos os outros. O dito é suficiente para mostrar que devemos invariavelmente influenciá-los, quer o desejemos ou não; pois se todas essas várias influências estão sempre atuando sobre nós, é claro que o que fazemos, por nossa vez, deve ser parte da influência que está sendo exercida sobre aqueles que se acham perto de nós. Estamos todos tão estreitamente inter-relacionados que homem algum pode levar uma vida isolada: todos os pensamentos ou ações estão operando seus resultados nos outros não só porque eles vêem nossas ações no plano físico e as imitam, como porque são impressionados pelas radiações invisíveis das vibrações de nossos pensamentos ou sentimentos.

Nós influenciamos os outros de três maneiras: pelo que somos; pelo que pensamos e desejamos; pelo que dizemos e fazemos. Primeiro, pelo que somos; pois o que somos se expressa em nossos diversos veículos e emitem continuamente ondas de influência que tendem a reproduzir-se isto é, a contagiar outras pessoas. Portanto, o que queremos que os outros sejam, nós próprios devemos ser primeiro que tudo. Qual então o ideal que nos devemos propor a esse respeito? Muitos dirão: "Ser bons", e sem dúvida é esse o primeiro ponto a considerar; mas certamente já o devemos ter como subentendido. Todo aquele que se adiantou o bastante para pensar que é seu dever influenciar o mundo, deve, por hipótese, esforçar-se ao máximo para levar uma vida reta. Suponhamos, portanto, existirem boa intenção e esforços sinceros, e vejamos como podemos contribuir para melhorar o mundo que nos cerca, servindo-nos de exemplo. O primeiro dever é o de procurarmos a felicidade e a paz.

O dever de sermos felizes - Consideremos em primeiro plano a felicidade. Sem dúvida que a Divindade quer que o homem seja feliz. A felicidade é um dever; não quero dizer simples tranquilidade filosófica, que é decerto boa coisa; quero dizer felicidade ativa. É um dever, não só para com a Potência Divina e nós próprios, mas também para com os outros, como mostrarei logo em seguida; e não é um dever difícil de cumprir, se desejamos apenas exercitar a inestimável faculdade do bom senso. E no entanto a maioria dos homens e das mulheres são freqüentemente infelizes. Por quê?

Felicidade é um estado mental, e por isso o sofrimento que provém de doença ou de acidente não faz, em rigor, parte do nosso tema, conquanto nisso haja muitas vezes um lado mental, que pode ser atenuado pelo raciocínio. A Justiça eterna governa o mundo, e, por conseguinte, não existe nenhuma possibilidade de acontecer conosco o que não tenhamos merecido; e, como a Justiça eterna é ao mesmo tempo o Amor eterno, tudo o que nos sucede deve ajudar o nosso desenvolvimento, e é capaz de o fazer, se nos dispomos a aceitá-lo de maneira correta e nos esforçamos por aprender a lição ali implícita. E se isso é verdade e os que se aprofundaram nos mistérios da vida e da morte sabem que o é queixar-se ou lamentar-se alguém por causa do sofrimento é, não somente desperdiçar muita energia inutilmente, senão ainda adotar um conceito de vida inteiramente insensato e inexato, e falhar na prova que lhe coube como uma oportunidade. Consideremos algumas das causas mais freqüentes da infelicidade habitual, a fim de ver como pode ser evitada. O homem demonstra excessiva ingenuidade ao excogitar razões para a sua desventura; delas a maior porção, contudo, pode ser classificada em uma ou outra destas quatro categorias: desejo, desgosto, medo e ansiedade.

O desejo Muitos homens se tornam infelizes porque estão sempre suspirando pelo que não possuem: riqueza, fama, poder, posição social, sucesso nos empreendimentos. Não me esqueço de que o contentamento pode às vezes denotar estagnação; de que a chamada "divina insatisfação" é um pré-requisito do progresso. Procurar sempre o nosso progresso, melhorar nossa posição, aumentar nossa capacidade de ajudar os outros, tudo isso é bom e louvável, e contribui para nossa evolução; mas em geral o nosso descontentamento nada tem de divino, porque não é um desejo de aperfeiçoar-nos e ser úteis, antes apenas o anseio egoísta do prazer pessoal, que esperamos resultar da riqueza ou do exercício do poder, e daí o dar origem a tanto sofrimento. Marchemos para a frente, com todo o ardor que desejemos; sejamos felizes em nossa marcha, resignados nos insucessos, e jamais ocupados em demasia a ponto de negarmos estender nossa mão em auxílio do nossos companheiros de peregrinação.

Entre as mais venenosas das múltiplas formas desta grande hera daninha chamada desejo, estão a inveja e o ciúme. Se os homens quisessem apenas ocupar a mente com seus próprios negócios, deixando em paz os seus vizinhos, desapareceriam muitas raízes fecundas de infelicidades. Que importa que outra pessoa possua mais dinheiro ou uma casa maior, tenha maior número de criados ou seja dono de cavalos melhores, ou que sua mulher possa permitir-se mais extravagâncias em chapéus e vestidos? Todas essas coisas lhe proporcionam certa categoria de oportunidades uma experimentação de sua capacidade para usá-las corretamente: ele poderá sair-se bem ou malograr-se; mas, como quer que seja, não somos nós o seu juiz, e nossa felicidade não depende evidentemente de malgastar nosso tempo em criticá-lo e invejá-lo, senão de nos certificarmos de que nós próprios estamos cumprindo cabalmente os deveres que dizem respeito a nossa situação na vida.

De todas as paixões que a pobre natureza humana alimenta, é o ciúme a mais ridícula. O ciúme pretende amar ardentemente, e no entanto se opõe a que outrem partilhe nossa devoção; ao passo que a afeição não-egoísta não vê senão um motivo a mais de satisfação quando o objeto de nossa adoração é universalmente apreciado. Acima de tudo, detesta o ciúme ver provas da inclinação de outros pelo seu ídolo, e sem embargo está sempre ansioso por encontrar a confirmação de suas suspeitas, sujeitando-se a todos os dissabores para provar a si mesmo a existência daquilo que mais detesta! Veja-se, pois, quanto sofrimento totalmente inútil evitará o homem forte bastante e suficientemente compreensivo para importar-se com seus próprios negócios, recusando-se terminantemente a se deixar prender nas malhas da inveja e do ciúme. Governemos os desejos e cultivemos o contentamento; que sejam limitadas e simples nossas necessidades e nossas ambições de progresso, tornando-nos úteis em lugar de visarmos à aquisição de bens materiais e veremos que ficará eliminada uma das causas mais férteis e mais poderosas de dor.

Eis outras características negativas: O desgosto: cultivado na medida em que não atingimos nossos desejos. O medo: tal como o medo da morte ou o medo da miséria. A ansiedade: quando projetamos nossas frustrações pelo modo das coisas se desenvolverem, nos preocupando e lamentando. Se o mundo está nas mãos de Deus, se fazemos nossa parte, de nada adianta reclamar das circunstâncias. Veja-se, além do mais, como nos preocupamos com o que pensam os outros a nosso respeito, esquecendo-nos de que o que fazemos não é da conta deles, a não ser que interfira em seus assuntos, e que a sua opinião, afinal de contas, não tem nenhuma conseqüência. O que devemos é cumprir o nosso dever tal como o vemos, e procurar ajudar o próximo sempre que se nos oferecer oportunidade. Se a consciência aprova nossos atos, nenhuma outra crítica nos deve perturbar. É diante do nosso "Pai que está no Céu" (nossa consciência divina) que somos responsáveis pelos nossos atos, e não para a Sra. Fulana que está espiando pela janela da casa vizinha.

Talvez que essa digna senhora faça comentários maliciosos a nosso respeito, e meia dúzia de bons amigos se disponham a repeti-los com alguma dose de exagero. Se nos faltar sensatez, poderemos considerar-nos ofendidos, daí se originando uma dissensão que pode durar meses e envolver muita gente inocente: e então naturalmente tentaremos lançar a responsabilidade de todos esses fatos lamentáveis sobre os ombros da vizinha, a cujos comentários atribuiremos o propósito de nos ofender! Façamos uso do bom senso por um momento, e pensemos como isso é ridículo.

Em primeiro lugar, em nove casos entre dez a vizinha não terá dito coisa alguma, ou falou em um sentido diferente do que nós entendemos, e assim provavelmente lhe estaremos fazendo grande injustiça. Até mesmo no décimo caso, se ela realmente o disse com aquela intenção, é possível que o fizesse sob o império de alguma exasperação cuja causa desconhecemos; talvez tivesse passado a noite sem dormir com uma dor de dente ou por causa de um filho pequeno doente. Certo que não é bondoso nem meritório levar em conta uma palavra irrefletida, que pronunciou sob a influência de alguma irritação. Sem dúvida que ela terá cometido um erro, pois lhe cumpria mostrar a mesma atitude de caridade angélica que sempre demonstramos. Não a estou defendendo de maneira alguma: apenas sugerindo que por se ter ela portado de modo insensato não existe razão para fazermos a mesma coisa.

Afinal de contas, que mal nos fez ela? Não foi a responsável pela nossa contrariedade, mas a nossa própria inconseqüência. Que são as suas palavras, senão uma simples vibração do ar? Se não as tivéssemos ouvido, não nos estaríamos sentindo ofendidos, e no entanto a participação dela no processo teria sido exatamente a mesma. O sentimento de cólera é, portanto, erro nosso, e não dela; nós é que nos deixamos desnecessariamente levar a um estado de excitação extrema por algo que na realidade carece de força para nos influenciar. Foi nosso próprio orgulho que inflamou nossa paixão, e não as palavras fúteis da mulher. Raciocine, e verá que assim é. Simples e evidente bom senso, nada mais; e, não obstante, como são poucas as pessoas que enxergam claramente o bastante para seguir esse caminho! E quantos sofrimentos poderiam ser evitados, se apenas usássemos mais os nossos cérebros e menos as nossas línguas!

Essas considerações nos mostram que as nuvens que se opõem à felicidade podem ser desvanecidas pela força do conhecimento e da razão; e é incontestavelmente de nosso interesse e de nosso dever promover imediata e vigorosamente esse desanuviamento. De nosso interesse porque, quando o fizermos, nossa vida será mais longa e mais proveitosa: "um coração alegre marcha o dia todo; um coração triste se cansa em uma milha". Façamos o melhor, não o pior; busquemos no mundo o bem, não o mal. Que as nossas críticas sejam daquela feliz espécie que se precipita sobre uma pérola com o mesmo zelo do crítico caturra que quer descobrir um defeito; e não podemos fazer idéia de quão mais fácil e agradável se tornará a nossa vida. Há beleza por toda a parte na Natureza, se somente desejamos procurá-la; há sempre numerosas razões para tristeza, se queremos apenas descobri-la, em vez de tratarmos de pesquisar as causas de descontentamento.

Eis aí o nosso dever, pois assentado está que assim a felicidade como a desgraça são contagiosas. Todos os que estudaram estes assuntos sabem que essas ondas de matéria, mais delicadas do que as que podemos ver, e que se estão continuamente irradiando de nós em todas as direções, levam com elas aos que estão ao nosso redor os nossos sentimentos de alegria ou de sofrimento. Portanto, se damos curso à tristeza e à depressão, estamos conseqiientemente irradiando melancolia obscurecendo a luz do sol de Deus para o nosso próximo, e tornando mais pesado o fardo a ser conduzido pelo nosso irmão; e não temos o direito de assim proceder.

Por outra parte, se nós mesmos estivermos felizes, aquela irradiante alegria se estenderá a todos os que de nós se aproximam, e nos converteremos verdadeiramente em um sol, que projetará luz, vida e amor sobre nosso pequeno círculo aqui na terra, do mesmo modo que a Divindade os difunde por todo o Universo; e assim, dentro de nossas limitadas possibilidades, nos tornaremos um de Seus colaboradores.

Tratemos agora de um ponto importantíssimo desse estudo: a paz. Por trás da felicidade ativa deve existir uma paz permanente, que também devemos procurar irradiar à nossa volta. A falta de paz é uma das mais lamentáveis características do nosso tempo. Nunca houve época em que o homem necessitasse mais de pôr em prática o sábio conselho de São Pedro: "Procurai a paz e segui-a", mas a maioria não sabe sequer por onde começar a procurar, e daí o concluir que a paz é inatingível na terra, e resignar-se a uma vida de inquietação. O homem vive simultaneamente em três mundos, o físico, o astral ou emocional e o mental, possuindo em cada um deles um corpo ou veículo, por cujo intermédio se manifesta. Em todos esses níveis, em todos esses veículos, devia haver paz; entretanto, com a maioria de nós isso está bem longe de acontecer.

Na terra física, rara é a pessoa que não se queixa de alguma coisa, que não esteja constantemente doente de um modo ou de outro. Um não faz bem a digestão, outro sofre de incessantes dores de cabeça, um terceiro padece de esgotamento nervoso, e assim por diante. No mundo da emoção, as coisas não se passam melhor, pois as pessoas com freqüência se deixam abater e torturar por sentimentos violentos, melancolia, cólera, ciúme, inveja; e se tornam assim desnecessariamente infelizes. Nem ficam em paz mentalmente, porque estão sempre saltando de uma para outra linha de pensamento, confusos e cheios de preocupações, desejando sem cessar coisas novas antes de haverem compreendido ou utilizado as velhas.

São três as causas dessa inquietação universal: a ignorância, o desejo e o egoísmo. O caminho para a paz consiste, portanto, em transpor tais obstáculos, substituindo-os pelos seus contrários; em adquirir conhecimento, autodomínio e altruísmo. Pensam os homens muitas vezes que as causas de suas ansiedades são externas, que o sofrimento e os dissabores lhes fazem pressão de fora, sem refletirem que não há fator externo que os possa influenciar a não ser que o consintam. Ninguém, se não nós mesmos, pode fazer-nos mal ou embaraçar-nos, assim como pessoa alguma pode promover o nosso progresso, se não nós mesmos. Como se diz no Oriente, o caminho está dentro de nós.

Para ganhar a paz devemos primeiro ganhar o conhecimento das leis a que está submetida a evolução. Quando as ignoramos, estamos sempre transgredindo-as, desviando-nos constantemente da senda do progresso da humanidade, à procura de alguma vantagem ou prazer pessoal e imaginário. A constante pressão da Lei de evolução nos obriga a retroceder, para nosso próprio bem, ao caminho que havíamos deixado; ficamos inquietos; lutamos contra a Lei; queixamo-nos do sofrimento e dos dissabores, como se nos chegassem por mero acaso, quando é a nossa resistência aos ditames da Lei que nos faz sentir-lhe a força coercitiva.

Nossa saúde sofre porque muitas vezes vivemos de modo anti-natural; comemos o alimento , usamos roupas impróprias, ignoramos a ventilação e o exercício, passamos nossas vidas em condições anti-higiênicas, e depois estranhamos que a cabeça nos doa ou que os nervos e os órgãos digestivos funcionem mal. O homem que conhece as leis de higiene e se dispõe a obedecê-las evita esses sofrimentos.

E isso também é verdade nos Planos do pensamento (Plano Mental) e da emoção (Plano Astral); eles têm suas Leis naturais, cujo desrespeito implica sofrimento. Muitos acham que todas as regras concernentes a esses reinos do pensamento e da emoção são arbitrárias; os instrutores religiosos têm cometido o erro desastroso de falar sobre a imposição de castigo em virtude daquela transgressão, e assim puseram na sombra o fato real de que há igualmente muitas leis da natureza análogas às que nos são familiares na vida física, e que a conseqüência da infração delas não é castigo, mas simplesmente o resultado natural. Se um homem segura uma barra de ferro em brasa com a mão desprotegida, se queimará; mas não nos ocorre descrever a queimadura como um castigo por segurar a barra de ferro. No entanto, nós chamamos punições a outros resultados que são igualmente naturais e inevitáveis. A Lei do Karma e do Renascimento tem analogias com a lei física da ação e reação.

O pensamento - um estudo básico
Que é então o pensamento, e como se manifesta? É no campo mental que ele primeiro se apresenta à visão do clarividente e se mostra como uma vibração da respectiva matéria vibração que produz vários efeitos, todos em consonância com o que a experiência científica no mundo físico nos faria esperar. Pensar é agir no Plano Mental, normalmente usando nosso Corpo Mental comum. Vivemos mergulhados no oceano de matéria mental, que envolve a todos, como uma atmosfera de energia e matéria mental.

1. Há o efeito operado no próprio Corpo Mental, e vemos que este efeito é de natureza a constituir um hábito. Existem muitos tipos diferentes de matéria no Corpo Mental, cada um deles tendo sua própria freqüência ondulatória, e a ela responde prontamente, e a ela tende a retornar o mais depressa possível, quando o força a desviar-se uma corrente impetuosa de pensamento, ou de sentimento. Um pensamento suficientemente forte pode fazer vibrar ao mesmo tempo e à mesma taxa todas as partículas de uma divisão do Corpo Mental; e sempre que tal acontece sua repetição é mais fácil. Ficam as partículas com o hábito de vibrar a essa taxa, o que facilita ao homem essa repetição do pensamento.

2. Há o efeito produzido sobre os outros veículos do homem que estão acima e abaixo do Corpo Mental em grau de densidade. Sabemos que perturbações físicas em um tipo de matéria são imediatamente comunicadas a outro tipo que, por exemplo, um terremoto (que é um movimento na matéria sólida) dará lugar a uma onda potente no mar (que é matéria líquida), e, por outro lado, a perturbação do ar (que é matéria gasosa) por uma tempestade causará crescentes ondulações na superfície do mar, chegando a se transformar em grandes vagas.

De modo exatamente igual, uma perturbação no Corpo Astral do homem (aquilo que chamamos emoção) ocasionará vibrações no Corpo Mental, gerando pensamentos que correspondem à emoção. Reciprocamente, as ondas no Corpo Mental influem no Corpo Astral, se são de um tipo suscetível a essa influência (o que significa que certos tipos de pensamento com facilidade provocam a emoção). Assim como a onda na matéria mental atua sobre a substância astral, mais densa que aquela, também repercute inelutavelmente na matéria do corpo causal, que é mais tênue; e deste modo o pensamento habitual do homem constrói qualidades no Ego. Observe-se aqui que a repercussão vibratória entre matérias de Planos diferentes não implica em transferência de matéria entre tais Planos.

Até agora nos temos ocupado do efeito do pensamento do homem sobre ele mesmo; e vemos que em primeiro lugar tende a reproduzir-se, e em segundo influi, não só em suas emoções, mas também, de modo permanente, sobre o próprio homem. Voltemos agora aos efeitos que se operam em derredor do homem isto é, nesse oceano de matéria mental.

3. Todo pensamento dá origem a uma ondulação que se irradia, podendo ser simples ou complexa, conforme o pensamento de onde partiu. As vibrações podem, sob certas condições, limitar-se ao mundo mental, porém é mais freqüente repercutirem nos mundos que lhe ficam acima e abaixo. Se o pensamento for puramente intelectual e impessoal se, por exemplo, o pensador está estudando um sistema filosófico ou tentando resolver um problema algébrico ou geométrico a onda-pensamento atuará exclusivamente na matéria mental. Se o pensamento for de natureza espiritual, se estiver impregnado de amor, de aspirações nobres ou sentimentos altruístas, elevar-se-á às regiões do mental superior, e participará até do esplendor e glória do mundo intuicional combinação que o tornará extraordinariamente poderoso. Se, pelo contrário, o pensamento estiver impregnado de desejos pessoais, suas oscilações imediatamente tenderão a descer, e esgotarão a maior parte de sua energia no mundo astral.

Todas essas ondas-pensamento operam em seus respectivos níveis, tal como faz uma onda luminosa ou sonora aqui no plano físico. Propagam-se elas em todas as direções, diminuindo de força à medida que se distanciam de sua fonte. A propagação não só atinge o oceano de matéria mental que nos envolve, como também influencia outros corpos mentais que se movem naquele oceano. Todos estamos familiarizados com a experiência em que uma nota tocada em um piano ou um som emitido por um violino faz ressoar a nota correspondente em outro instrumento do mesmo gênero, afinado segundo o mesmo diapasão. Assim como a vibração emitida por um instrumento musical se transmite pelo ar e repercute em outro instrumento, assim também a vibração do pensamento emitido por um Corpo Mental se transmite à matéria mental circunjacente e se reproduz em outro Corpo Mental. Em outras palavras, o pensamento é contagioso. Muitas vezes temos pensamentos que na verdade são de terceiros, pois as formas-pensamento emitidas por terceiros ficam vagando no oceano mental e de repente são pegas por nosso Corpo Mental, que a transforma em pensamento próprio e a reemite para o oceano mental, com energia aumentada.

4. Todo pensamento produz não só uma onda como uma forma, um objeto definido, distinto, que é dotado de energia e vitalidade de determinada espécie, e que em muitos casos se comporta mais ou monos como uma criatura viva. Essa forma, como a onda, pode existir somente no reino mental; é mais comum, porém, que desça ao nível astral e surta seu efeito principal no mundo das emoções. O estudo das formas-pensamento é de fundamental interesse.

Consideremos separadamente a ação dessas duas manifestações do poder do pensamento. Pode a onda ser simples ou complexa, segundo o caráter do pensamento; mas sua força se exerce principalmente sobre um dos quatro níveis de matéria mental as quatro subdivisões que compõem a parte inferior do mundo mental. A maioria dos pensamentos do homem comum gravitam em torno dele próprio, de seus desejos e de suas emoções, e portanto dão lugar a ondas na subdivisão mais inferior da matéria mental; efetivamente, a parte do Corpo Mental formada por esse tipo de matéria é a única já de todo evolvida e ativa na grande maioria dos seres humanos.

Sob esse aspecto, o estado do Corpo Mental é completamente diferente daquele do veículo astral. No homem civilizado de nossa raça, o Corpo Astral se acha tão desenvolvido quanto o físico, e o homem é perfeitamente capaz de usá-lo como veículo da consciência. Não está ele muito afeito a usá-lo assim, e por conseguinte o faz com certa apreensão, não confiando em seus poderes; mas os poderes astrais estão presentes, e o uso é apenas uma questão de hábito. Quando ele se achar funcionando no mundo astral, durante o sono ou depois da morte, estará perfeitamente apto a ver e ouvir e a mover-se à vontade.

Mas no mundo celeste (Plano Causal) encontrar-se-á ele em condições bem diferentes, pois o Corpo Mental ainda não está plenamente desenvolvido, constituindo esta fase de sua evolução encargo atual da raça humana. O Corpo Mental pode ser empregado como veículo somente pelos que foram especialmente preparados para o seu uso por instrutores pertencentes à Grande Fraternidade de Iniciados; no homem médio os seus poderes apenas em parte estão desenvolvidos, não sendo utilizáveis como veículo separado de consciência. Na maioria dos homens, as partes superiores do Corpo Mental estão ainda totalmente adormecidas, inclusive quando as inferiores se encontram plenamente ativas. Significa isso necessariamente que, enquanto toda a atmosfera mental está surgindo com ondas de pensamento das subdivisões inferiores, há ainda relativamente pouca atividade nas subdivisões superiores fato que precisaremos deixar bem claro quando viermos a considerar a possibilidade prática de usar o poder do pensamento. Esse fato também se reveste de grande importância no que concerne à distância até onde uma onda-pensamento se pode propagar.

Para melhor compreensão, faremos uma comparação com o efeito da voz de um orador perante o público. Pode ele fazer-se ouvir até certa distância distância que depende da força de sua voz. No caso da forma-pensamento, essa força depende da potência das vibrações. Mas a distância até a qual pode ser compreendido o orador é outra coisa, dependendo muitas vezes da clareza de articulação mais do que da potência da voz. A clareza de articulação é, no caso de uma forma-pensamento, representada pela precisão e nitidez do contorno.

Muitos homens sem o devido preparo na arte de falar em público podem emitir gritos que seriam ouvidos a considerável distância, mas completamente ininteligíveis. Do mesmo modo, o homem dotado de fortes sentimentos, mas não exercitado na arte de pensar, pode originar uma forma-pensamento capaz de transmitir com bastante intensidade o sentimento que a inspirou alegria, terror ou surpresa; e que, entretanto, poderia ser de tal maneira vaga que não daria idéia alguma sobre a natureza ou a causa da emoção. Evidente, pois, que a clareza do pensamento é, pelo menos, tão necessária como a sua força.

Por outro lado, a voz do orador pode ser clara e forte, e suas palavras perfeitamente audíveis no lugar em que se acha o ouvinte; mas as palavras não comunicarão nenhum significado àquele que estiver tão preocupado com outro assunto a ponto que não preste atenção. Isso tem exata correspondência no mundo do pensamento. Pode-se emitir um pensamento nítido e forte, e dirigi-lo intencionalmente a outra pessoa; mas, se a mente desta se encontrar de todo absorvida por seus negócios pessoais, a forma-pensamento não produzirá a menor impressão em seu corpo mental. Muitas vezes os homens, quando tomados de pânico, não chegam sequer a ouvir os conselhos ou as ordens que lhes são dadas em voz alta; sob a mesma influência ficam igualmente impermeáveis às formas-pensamento.

A maioria dos seres humanos não sabe pensar, e até mesmo os que são um pouco mais adiantados raramente pensam de forma definida e com firmeza, exceto durante os momentos em que estão ocupados em alguma tarefa que lhes absorva toda a atenção. Conseqüentemente, existe grande número de mentes desocupadas ao nosso alcance para receberem qualquer idéia que nelas possamos semear.

Pelo pensamento coletivo - a participação em cerimônias apresenta a característica de ter s influências de uns sobre os outros, com a retroalimentação do processo, de imediato. O orador influi com seu discurso sobre a platéia, que por sua vez emite para ele pensamentos semelhantes. Numa reunião religiosa é a mesma coisa. A boa influência do ambiente é resultado da contribuição de todos os presentes que, por sua vez transmitem a esse ambiente pensamentos de igual teor, amplificando seu poder. Por outro lado, a doutrina de condenação eterna de certas seitas acabam gerando um efeito tenebroso sobre os fiéis. Parece que quanto mais competente em assustar, mais é cotado o sacerdote, que não vê quantos danos produz em seus ouvintes.

O hábito da oração é uma fonte especial de influência nossa para os outros e quando sincero e efetivo tem uma energia imensa que se espalha em torno do orador. A meditação tem um poder maior ainda. O ato de meditar cria um campo de força imenso em torno de quem medita. O meditador é como se fosse uma estação de tratamento energético nos Planos Astral e Mental, transformando energias ruins em energias boas.

Nossas relações com as crianças - Nossa capacidade de interferir nso outros é especialmente maior no caso de crianças. Elas são influenciáveis em um grau que só um clarividente é capaz de compreender. Quando mentimos para uma criança, à guisa de nos livrar do incômodo que ela nos causa, e ela descobre ou desconfia da mentira, causamos uma verdadeira tempestade em sua aura, refletindo sua revolta. Os chackras de uma criança não são abertos como os de um adulto. A partir do bebê até a fase adulta, há uma progressiva abertura de cada chackra. A interação com energias etéricas, astrais e mentais de baixa vibração pode influir negativamente com o desenvolvimento dos corpos sutis da criança. Pode criar tendências indesejáveis. Podemos forjar um destino ao influenciar uma criança. Nunca é demais repetir da necessidade de se tratar as crianças com amor e respeito.

Nossas relações com os reinos inferiores - Também influenciamos os reinos animal e vegetal, bem como as coisas inanimadas. Temos o poder de mudar o destino de animais e plantas. Do meio ambiente, enfim.

Influenciamos, nem sempre positivamente, a evolução dos seres inferiores a nós. Impregnamos esses seres com nossas energias e por sua vez eles interagem com outros seres humanos, transmitindo nossa influência.

Há lugares que ficam profundamente impregnados com nossos sentimentos e pensamentos, tais como igrejas, presídios, hospitais, escolas... Existem incontáveis casos de lugares que ficaram marcados pela morte e sofrimento de alguém. Por exemplo: o Palácio de Versailles, na França, tem um famoso fantasma de uma mulher da nobreza. Nem todos são capazes de ver tais fantasmas e cenas fantasmagóricas.

Espíritos da natureza - temos influência sobre os espíritos da natureza que povoam nossa vizinhança, e deles podemos ser amigos. Muitas de suas tribos são tão belas e tão interessantes que vale a pena cultivar o seu conhecimento, e podemos ajudá-los a desenvolver o seu intelecto e a sua afeição, e assim fazer-lhes muito bem. Deles, os que possuem corpos etéricos têm a faculdade de os tornar fisicamente visíveis, quando querem, e por isso os homens que têm a sorte de ganhar a sua amizade podem ocasionalmente ser recompensados vendo-os a visão ordinária. Há também uma probabilidade de que tais amigos possam ser ajudados pelos elfos a obter vislumbres de clarividência temporária, a fim de que dessa forma os vejam.

Uma fada tem muitos pontos de semelhança com um animal selvagem, e o método para lhe conseguir a amizade é análogo ao que teríamos que adotar para domesticar pássaros ou corças. A fada é esquiva e desconfiada em relação ao homem; como pode ser vencida essa desconfiança? A pessoa que deseja estudar de perto os hábitos de um pássaro dirige-se ordinariamente aos lugares aonde ele costuma ir, oculta-se e fica inteiramente quieto, esperando que o pássaro não o veja, ou, vendo-o, esteja seguro de sua perfeita imobilidade. A vista etérica de um espírito da natureza atravessa paredes ou matas, sendo portanto inútil tentar fugir à sua observação; e para ele a imobilidade mais importante não é a do corpo físico, mas a do corpo astral. É repelido pelas emanações impuras do homem ordinário da carne, do fumo, do álcool e da falta de higiene em geral; evidentemente, aquele que desejar obter a sua amizade deverá estar isento de tudo isso. O espírito da natureza repele, também, as tempestades das paixões e da impureza; assim, o homem que o procura deve ainda estar livre de todo sentimento baixo e egoísta, como a sensualidade, a cólera, a inveja, o ciúme , a avareza e também a depressão. Em suma, espíritos da natureza são tão sensíveis que evitam o contato rotineiro com a espécie humana.

Para finalizar, cito palavras atribuídas a Buda: "As coisas invisíveis são a maioria." Muito obrigado pela atenção.

 

 

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