Quem já viu o primeiro filme da trilogia Matrix?
Lembram que quando o herói Neo (interpretado pelo Keannu Reeves) é apresentado a realidade da Matrix, são oferecidas a ele duas pílulas: uma azul e a outra vermelha. Uma, a vermelha, mostrando a verdadeira realidade e a outra conduzindo ao esquecimento.

A mesma proposta faço agora para vocês: os que quiserem conhecer o verdadeiro aspecto da realidade tomem a pílula vermelha e continuem na sala.Aos que escolherem a pílula azul, não adianta dizer: prazer em conhecê-los, porque não vão lembrar...(risos)A escolha foi de vocês.

Aqui começa nossa viagem para ver que a realidade não é o que parece.
O que estão vendo nesta imagem? Quem vê um cubo, avise.
E com esta imagem, o que estão vendo? Um sólido cubóide escavado?
Ou um novo cubo? O que é a realidade? O primeiro ou o segundo?
Na verdade não vimos um cubo na primeira vez, nem um sólido escavado na segunda (ou vice-versa). Vimos uma representação bidimensional de um sólido de três dimensões e interpretamos a imagem como se fosse tridimensional. A realidade das imagens apresentadas tem duas dimensões, nós distorcemos a realidade da imagem dentro de nossa “Matrix” individual.

E agora, o que está escrito? Porque lemos esta frase?
Existe alguma letra nela? Lemos porque, pelo tipo de nossa cultura ocidental, associamos as sombras ao conteúdo.
Só entendemos aquilo que aprendemos a enxergar.
E assim procedemos por causa da formação de nossa cultura e da evolução de nosso pensamento, que vamos ver a seguir.
Nossa cultura é objetiva e as raízes da física, assim como de toda ciência ocidental, podem ser encontradas no período inicial da filosofia grega do século IV A C, numa cultura onde filosofia e religião andavam juntas.
Os sábios da escola de Mileto não estavam preocupados com estas distinções. Seu objetivo girava em torno da descoberta da natureza essencial das coisas a que denominavam Physis o termo física deriva desta palavra grega.

História da Física

 

Historicamente, pode se dizer que a física que nasce com Demócrito ocupa-se da "substância que tem em sim mesma a causa de seu movimento".
Isto é, a física é uma teoria do movimento. Posteriormente o conjunto do conhecimento científico foi sistemizado e organizado por Aristóteles, que criou o esquema de estudos que viria se tornar a base da visão ocidental do universo durante dois mil anos. Assim, o conhecimento ocidental desenvolveu-se de maneira objetiva buscando, acima de tudo, a interpretação do mundo ao redor.

Mais adiante iremos ver como a cultura oriental se desenvolveu de forma diferente, mercê de sua tradição religiosa e sistema de escrita. Até o século XVIII, a opinião predominante era a de que a luz era constituída por pequenas partículas muito rápidas que saíam dos corpos luminosos.
No entanto, no início do século XIX foram estudados fenômenos de difração e interferência, que só podiam ser explicados supondo-se que a luz fosse constituída por ondas.Se compararmos a Física do final do século XIX com a de cem ou duzentos anos antes, poderemos considerar que o avanço científico havia sido espantoso. O eletromagnetismo conseguiu inicialmente unir duas áreas de estudo que eram totalmente separadas antes a eletricidade e o magnetismo. Essa síntese foi apenas um primeiro passo, pois o estudo dos fenômenos eletromagnéticos levou, na segunda metade do século XIX, à previsão de ondas eletromagnéticas com a mesma velocidade da luz. Concluiu-se então que a luz era um tipo especial de ondas eletromagnéticas, de alta freqüência, e assim a óptica passou a ser uma parte do eletromagnetismo.

 

Em 1803, Young realizou uma experiência demonstrando que a luz possuía natureza ondulatória. Fez a luz passar por uma abertura estreita e constatou que, num anteparo instalado do outro lado, não surgia simplesmente uma linha nítida, mas sim um conjunto de faixas luminosas de diferentes intensidades. Isso mostrava que a luz sofria difração, tal como ocorria com as ondas sonoras ou as de um lago. Se ela fosse constituída de partículas, esse comportamento seria impossível.Mas, a matéria em si, era constituída de quê? Vários pensadores propuseram que a matéria seria constituída por átomos, assim como haviam pensado Demócrito e Leucipo. Em 1808, o cientista inglês John Dalton publicou um livro apresentando sua teoria sobre a constituição atômica da matéria. O seu trabalho foi amplamente debatido pela comunidade científica e, apesar de ter sido criticado pelos físicos famosos da época, a partir de segunda metade do século XIX os químicos começaram a se convencer, pelas inúmeras evidências, de que tal modelo era bastante plausível.
O modelo de Dalton baseava-se nas seguintes hipóteses:

- Tudo que existe na natureza é composto por diminutas partículas denominadas átomos;

- Os átomos são indivisíveis e indestrutíveis;

- Existe um número pequeno de elementos químicos diferentes na natureza;

- Reunindo átomos iguais ou diferentes nas variadas proporções, podemos formar todas as matérias do universo conhecidos;

Para Dalton o átomo era um sistema contínuo. O primeiro modelo detalhado do átomo, proposto por J. J. Thomson em 1898, baseava-se na idéia de que o átomo era uma esfera de eletricidade positiva, onde estavam submersas partículas negativas denominadas elétrons. Foi Thomson que lançou a idéia de que o átomo era um sistema descontínuo, portanto, divisível. Mas sua descrição não era satisfatória porque não permitia explicar as propriedades químicas do átomo.Lord Kelvin, respeitado cientista que muito contribuiu para a ciência, ao final do século XIX, chegou a sugerir que a física havia atingido seu limite e que desaconselhava que os jovens estudassem estas matérias. Havia só duas "coisinhas", dois fenômenos que não haviam sido explicados, mas que não eram de muita importância: o experimento de Michelson e Morley, que procuravam determinar a velocidade da luz vinda de diferentes regiões, e o estudo da distribuição de energia da luz emitida por sistemas conhecidos como corpos negros. E foram justamente as tentativas de explicação destes fenômenos que deram origem a duas teorias que mudaram a física:
A Teoria da Relatividade e A Teoria Quântica.

No final do século XIX, o físico neozelandês Ernest Rutherford foi convencido por J.J. Thomson a trabalhar com o fenômeno então recentemente descoberto: a radioatividade. Seu trabalho permitiu a elaboração de um modelo atômico que possibilitou o entendimento da radiação emitida pelos átomos de urânio, rádio e polônio. Um dos experimentos conduzidos pela equipe de Rutherford revolucionou o modo como os físicos da época passaram a imaginar o átomo.
Foram bombardeadas finas lâminas de ouro, para estudo de deflexões (desvios) de partículas alfa. De acordo com o modelo de Thomson, esses desvios seriam improváveis, pois sendo as partículas alfa muito mais leves do que os átomos da lâmina de ouro, os elétrons teriam tanto dificuldade para desviar suas trajetórias quanto bolas de gude para desviar balas de canhão.Para perceber possíveis desvios, utilizou-se uma placa de material fosforescente que emite luz quando colidida pela radiação alfa. Dessa maneira, ao colocar uma fina lâmina de ouro entre a chapa fosforescente e o material radioativo, a luminosidade na chapa deveria cessar, pois a lâmina de ouro bloquearia a passagem da radiação.Para surpresa de Rutherford, uma grande luminosidade continuou aparecendo do outro lado da lâmina de ouro, indicando que a radiação alfa havia atravessado sem a menor dificuldade. Além disso, ele observou o surgimento de uma pequena luminosidade em outras partes da chapa. Isso evidenciava que a trajetória de uma parte da radiação alfa era desviada por algo na lâmina de ouro. Com bases nas suas observações foi possível notar que existiriam espaços vazios entre os átomos, por onde estava passando a radiação. Através de vários testes, Rutherford e sua equipe conseguiram estabelecer um novo modelo de átomo, que ocuparia um volume esférico e que possuía um núcleo. Estabeleceu que o núcleo contém a maior parte da massa do átomo e possui carga positiva (responsável pelos poucos desvios da radiação alfa). A região externa ao núcleo está ocupada pelos elétrons numa região denominada eletrosfera ou coroa eletrônica. Os elétrons estariam em movimento em torno do núcleo, na eletrosfera.

Teoria Quântica

A Teoria Quântica teve suas origens vacilantes no ano de 1900, com a publicação de um artigo pelo físico alemão Max Planck. Planck dirigiu sua atenção ao que era um problema não resolvido pela física do século XIX, e que consistia na distribuição entre os diversos comprimentos de onda da energia calorífica irradiada por um corpo quente. Sob certas condições ideais, a energia se distribui de um modo característico, que Planck demonstrou que podia ser explicada supondo que a radiação eletromagnética era emitida pelo corpo em pacotes discretos aos quais chamou "quanta". A razão deste comportamento espasmódico era desconhecida, e simplesmente teria que se aceitar ad hoc.

Em 1905 a hipótese quântica foi estimulada por Einstein, quem explicou de modo satisfatório o chamado efeito fotoelétrico, que consiste na extração de elétrons da superfície de um metal mediante energia luminosa. Para explicar o modo particular de como isto se sucede, Einstein viu-se forçado a considerar o raio luminoso como uma chuva de partículas, posteriormente chamadas fótons. Esta descrição da luz parecia estar em confronto direto com a idéia tradicional, segundo a qual a luz (assim como todo tipo de radiação eletromagnética) consiste em ondas contínuas que se propagam de acordo com a célebre teoria eletromagnética de Maxwell, firmemente estabelecida meio século antes.
A dicotomia onda-partícula, entretanto, não estava restrita à luz. Os físicos da época estavam também interessados na estrutura dos átomos. Em particular, estavam intrigados acerca de como os elétrons podiam girar ao redor do núcleo sem emitir radiação, pois sabia-se pela teoria eletromagnética de Maxwell que quando as partículas carregadas seguem caminhos curvilíneos irradiam energia eletromagnética. Se isto ocorre continuamente, os elétrons, que estão orbitando em torno do núcleo, perderiam rapidamente energia e cairiam seguindo espirais até este núcleo.

Em 1913 Bohr propôs que os elementos atômicos estão também "quantizados", no sentido de que podem permanecer em certos níveis fixos sem perder energia. Quando os elétrons saltam de um nível a outro, absorvem ou emitem energia eletromagnética em quantidades discretas. Estes pacotes de energia são, de fato, fótons.
A razão pela qual os elétrons atômicos haviam de comportar-se deste modo descontínuo não foi, entretanto, esclarecida até quando se descobriu a natureza ondulatória da matéria. O trabalho experimental de Clinton Davisson e outros e o trabalho teórico de Louis de Broglie conduziram à idéia de que os elétrons, assim como os fótons, podem comportar-se como ondas e como partículas, dependendo das circunstâncias de cada caso. Segundo a descrição ondulatória, os níveis de energia atômicos propostos por Bohr correspondem a estados de ondas estacionárias ao redor do núcleo. Somente quando, devido à transição de um nível de energia a outro, a estrutura muda, produz-se uma perturbação eletromagnética com emissão ou absorção de radiação.Ficou claro de imediato que não somente os elétrons, mas todas as partículas subatômicas, estão sujeitas a um comportamento semelhante. Evidentemente, as leis tradicionais da mecânica formulada por Newton, assim como as leis do eletromagnetismo de Maxwell, fracassaram completamente no micromundo dos átomos e das partículas subatômicas. Até a metade da década de 1920, um novo tipo de mecânica - a mecânica quântica havia sido desenvolvida independentemente por Erwin Schrödinger e Werner Heisenberg para levar em conta esta dualidade onda-partícula.

O que é uma onda? É uma perturbação cíclica estabelecida em um meio que surge devido às diferentes velocidades em diversos pontos do meio.
Por exemplo, uma onda ao sacudirmos uma corda com uma das pontas presas. Ou, também, as ondas que surgem em uma superfície líquida ao jogarmos um objeto na mesma. Quando ouvimos um determinado som, é porque o ar está vibrando na freqüência deste som. Esta vibração faz com que a membrana do tímpano oscile devido às diferenças de pressão interna e externa. Esta oscilação aciona o conjunto de ossos conhecido como martelo e bigorna que, por sua vez, pressionam o nervo, gerando impulsos elétricos que são decodificados pelo cérebro como sons conhecidos.

A solução foi dada por Niels Bohr ao elaborar o princípio da
complementaridade. Ele estabelece que, embora mutuamente excludentes num dado instante, os dois comportamentos são igualmente necessários para compreensão e a descrição dos fenômenos atômicos. O paradoxo é necessário. Ele aceita a discrepância lógica entre os dois aspectos extremos, mas igualmente complementares para uma descrição exaustiva de um fenômeno.Um passo importante para a explicação dos sucessos da teoria de Bohr, e que abriria as portas para a uma teoria consistente, foi dado pelo físico francês Louis De Broglie. Em sua tese de doutoramento, em 1924,
De Broglie fez uma proposição de simetria baseada em uma teoria de Einstein de 1905 de que a luz pode, em algumas condições, se comportar como partícula. Não poderiam as partículas apresentar um comportamento de ondas? Aplicando esta suposição ao modelo de Bohr ele supôs que o elétron teria uma onda associada ao longo de sua órbita em torno do próton. Mas apenas algumas órbitas seriam possíveis para que a onda não interferisse destrutivamente consigo mesma. Essas órbitas especiais eram exatamente as propostas por Bohr!Este resultado abriu caminho para uma nova interpretação do elétron e da matéria em geral. As partículas teriam um novo comportamento chamado de partícula-onda. Se o elétron colidir com um detector, um ponto bem definido será registrado, como se espera de uma partícula. Mas o elétron mostra claramente, em alguns experimentos, que tem um comportamento ondular associado a ele.

O físico Austríaco Erwin Schrödinger examinou esta teoria e descartou o trabalho, mas, após um novo exame, acabou percebendo sua importância. Mais do que isso, dedicou-se a desenvolvê-lo e o resultado foi uma das mais importantes contribuições a nossa compreensão do que é a matéria. Indo além de De Broglie, em 1926 Schrödinger definiu uma equação que descrevia o comportamento ondular completo de uma partícula, em três dimensões. O resultado não apenas reproduziu os resultados de Bohr para as energias do átomo de hidrogênio, como explica com grande precisão as propriedades dos átomos em geral, e, conseqüentemente, abriram as portas para uma descrição matemática de sólidos, líquidos, semicondutores, e assim em diante.Na formulação de Schrödinger não é possível determinar a trajetória de uma partícula, o que levou a interpretações que vão totalmente além de nossa concepção macroscópica. Este resultado já havia sido apresentado no trabalho de outro fundador da Teoria Quântica, Werner Heisenberg. Usando uma formulação diferente, mas equivalente a de Schrödinger, determinou o chamado princípio da incerteza. Segundo este, quando maior a precisão na determinação experimental da posição de um elétron, menor a precisão na determinação de sua velocidade, e vice-versa. Como ambos são necessário para definir uma trajetória, este conceito teria que ser descartado.Muitos físicos passaram a assumir que o elétron não estaria necessariamente em lugar nenhum, até que fosse detectado em um experimento. O resultado se mostrou correto, mas levou também a um conflito, pois se passou de uma formulação determinista para uma estatística. Não se determina mais onde o elétron está, mas qual a probabilidade de que esteja em uma região do espaço.

O modelo de Bohr, que era limitado ao átomo de hidrogênio, foi adaptado para procurar salvar o conceito de uma órbita definida, mas sem sucesso. Einsten foi um dos que se opôs à interpretação estatística, e a base de suas críticas é geralmente representada pela frase "Deus não joga dados". Apesar de ter sido fundamental para a teoria quântica, dedicou-se a uma longa discussão teórica contra os físicos quânticos, especialmente sob a orientação de Bohr e seu grupo da chamada "Escola de Copenhague".
As contraposições de Einstein, que buscava erros na teoria quântica, foram explicadas por Bohr e seu grupo, e ajudaram a firmar a mecânica quântica como uma formulação correta.


A chamada interpretação de Copenhague, apesar de seus efeitos estranhos, é realmente o ponto de vista "oficial" entre os físicos profissionais. Na aplicação prática da mecânica quântica o físico raramente se choca com problemas epistemológicos. Tanto quanto as regras quânticas se aplicam sistematicamente, a teoria proporciona tudo o que dela se pode esperar; isto é, prediz corretamente os resultados de medidas reais - o qual é, além do mais, a ocupação dos físicos. Entretanto, alguns físicos não têm se contentado com isso, porque no mais profundo da interpretação de Copenhague parece existir um paradoxo devastador.

 

Segundo as regras da mecânica quântica, um sistema quântico pode
Se o sistema pode ser considerado isolado, seu desenvolvimento temporal vem descrito pelo que os matemáticos chamam uma operação unitária.
Em termos mais físicos, um desenvolvimento unitário corresponde a algo como o seguinte: Suponha-se que o estado do sistema consiste em várias figuras ondulatórias superpostas. As diferentes ondas componentes interferirão continuamente entre si e produzirão uma figura complexa e mutante, análoga às ondulações da superfície de um tanque. De fato, a descrição desta evolução quântica é muito parecida à de qualquer outro sistema do tipo ondulatório.Em contraposição a isto, suponha-se agora que se faz um certo tipo de medida. O efeito é dramático. De repente desaparecem todas as ondas que contribuíam à figura salvo uma, deixando somente a figura dada por esta única onda que corresponde à "resposta". Cessam os efeitos de interferência e a figura ondulatória subseqüente fica totalmente transformada. Tal evolução tipo-medida da onda é irreversível. Não podemos desfazê-la e restaurar a complexa figura ondulatória original. Matematicamente, esta transição é "não-unitária". Como podemos compreender estes dois modos de comportamentos diferentes de um sistema quântico? Obviamente, a troca brusca que ocorre quando tem lugar uma medida tem de estar relacionada com o fato que o sistema quântico se acopla a um aparelho de medida com o qual interage. Já não está isolado.

 

Em 1935 Erwin Schrödinger, um dos fundadores da mecânica quântica, havia já percebido como os problemas filosóficos de uma superposição quântica poderiam aparecer a nível macroscópico. Ilustrou este ponto, dando-lhe um toque de especularidade, com um experimento ideal, hoje famoso, que tem a ver com um gato. Um gato está fechado em uma câmara de aço, junto ao diabólico dispositivo seguinte (que deve assegurar-se contra uma interferência direta por parte do gato); num contador Geiger há um pedacinho de uma substância radioativa, tão pequeno, que talvez no transcurso de uma hora se desintegre um átomo, mas também poderia ocorrer com igual probabilidade que nenhum átomo se desintegrasse; se ocorrer o primeiro, produz-se uma descarga no tubo e mediante um relê libera-se um martelo que rompe um frasquinho de ácido cianídrico. Se desejarmos que o sistema completo funcione durante uma hora, diríamos que o gato viverá se nesse tempo não tenha desintegrado nenhum átomo.
A primeira desintegração atômica o envenenará.Nas nossas mentes está absolutamente claro que o gato deve estar vivo OU morto. Por outro lado, segundo as regras da mecânica quântica, o sistema total dentro da caixa se encontra numa superposição de dois estados um com o gato vivo e o outro com o gato morto. Mas qual sentido podemos dar a um gato vivo-morto?
O paradoxo do gato derruba qualquer esperança que possamos ter de que o fantasma da mecânica quântica está de algum modo confinado ao micromundo sombrio dos átomos, e que a natureza paradoxal da realidade no domínio atômico é irrelevante para a experiência cotidiana. Se a mecânica quântica é aceita como uma descrição correta de todo tipo de matéria, a dita esperança está claramente fora de lugar. Seguindo a lógica da teoria quântica até sua conclusão final, a maior parte do universo físico parece diluir-se em uma fantasia de sombras.

 

Faz apenas cem anos que a existência do éter deixou de ser aceita como um meio elástico através do qual as ondas luminosas se propagavam por milhões de anos luz sem perder ou diluir sua energia inicial. Ora, os cientistas já haviam constatado que se um sino tocasse no vácuo, a ausência de ar não permitia que se produzisse nenhum som. Como explicar que a luz se propagava no vácuo, sem um meio material capaz de transportar suas ondas, como havia sido proposto por Huygens? Diante deste dilema, Huygens recorreu à velha idéia do éter - meio no qual se propagariam as ondas luminosas.Em 1881, com o objetivo de demonstrar a realidade do éter, Michelson, na época em Berlim, no laboratório do físico alemão Hermann Helmholtz (1821-1894), inventou um instrumento capaz de medir a velocidade da luz - o interferômetro de Michelson - e de comparar o intervalo de tempo gasto por dois feixes emitidos de uma mesma fonte em duas direções perpendiculares. Se uma dessas direções fosse a do movimento da Terra em sua órbita ao redor do Sol e a outra perpendicular, uma diferença de intervalos de tempos deveria ser detectada. Mas inacreditavelmente, o éter mostrou não ter qualquer efeito sobre a velocidade da luz, quer o feixe se deslocasse na mesma direção ou perpendicular ao movimento terrestre. Se o éter existisse, a Terra estava em repouso!

Einstein

Em 1905 Einstein, então um jovem físico, propôs estender o princípio da Relatividade já conhecido na Mecânica Clássica a toda a Física.
Ele postulou que as leis da Física têm a mesma formulação em todos os referenciais Galileanos e afirmou que seria possível colocar em evidência o movimento de um referencial em relação a outro R' por intermédio de qualquer tipo de experiência, fosse ela mecânica, ótica ou eletromagnética, realizada no referencial R'.Tal princípio da Relatividade aboliu toda significação que se poderia dar à noção de referencial absoluto.
A idéia da invariância da velocidade da luz, incompatível com a lei Newtoniana de adição e subtração das velocidades de referenciais que se deslocam, conduziu Einstein a estabelecer uma nova cinemática compatível com o princípio da Relatividade Einsteniana. Com efeito, após demonstrar, através de uma seqüência de exemplos e de forma indiscutível e inequívoca, que não há sentido em se cogitar de eventos que se sucedem simultaneamente em sistemas não relacionados entre si, Einstein cuidou de relacionar as grandezas vigentes num sistema com as aplicáveis a outros.
A teoria da Relatividade Restrita estabelece que a energia cinética de uma partícula de massa m é expressa pela equação: E=m.C2 Ou seja, energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado.Em 1905, em seu brilhante manuscrito, Einstein construiu a fundação conceitual da teoria da relatividade especial a partir de dois postulados: 1) as leis da física são as mesmas para observadores movendo-se com velocidade relativa constante; 2) a velocidade da luz no espaço vazio é independente do movimento de sua fonte ou do observador. Esse segundo postulado é novo e, mesmo que possa soar muito inocente, ele tem conseqüências muito sérias para nossas noções newtonianas de espaço e tempo. O segundo postulado de Einstein leva ao seguinte resultado surpreendente: a simultaneidade é relativa. Dois eventos que são simultâneos para o observador A, como duas bolas batendo no chão ao mesmo tempo, não serão simultâneos para um observador B, movendo-se com velocidade constante em relação ao observador A.

Ao publicar sua Teoria Especial da Relatividade, mais tarde ampliada na Teoria Geral da Relatividade, Einstein promoveu uma ruptura conceitual revolucionária entre a nova realidade de um novo universo curvo e inserido num continuum espaço-temporal e os conceitos mais básicos da física newtoniana, como, por exemplo, o do espaço euclidiano rígido, independente de um tempo universalmente linear, e de uma matéria inerte constituída de minúsculas bolinhas indestrutíveis, os átomos. Hoje sabemos que a medida do tempo varia conforme a velocidade com que se deslocam diferentes observadores, em diferentes referenciais, que o espaço é curvado pela presença de matéria, que matéria e energia são equivalentes, etc.

A mais revolucionária descoberta advinda da Teoria da Relatividade, porém, foi a demonstração experimental do pilar central desta teoria: as partículas materiais podem ser criadas a partir da pura energia e voltar a ser pura energia. A equivalência entre matéria e energia é expressa pela famosa equação E=mc2. As teorias de campo transcenderam definitivamente a distinção clássica entre as partículas e o vácuo. Segundo Einstein, as partículas representam condensações de um campo contínuo presente em todo o espaço.

 

Por isso o universo pode ser encarado como uma teia infinita de eventos correlacionados, e todas as teorias dos fenômenos naturais passam a ser encaradas como meras criações da mente humana, esquemas conceituais que representam aproximações da realidade, pois, segundo a interpretação de Copenhague, formulada por Bohr e Heisenberg, não há realidade até o momento em que ela é percebida pelo observador. Dependendo do ajuste experimental, vários aspectos complementares da realidade se tornaram visíveis. É o fato de se observar que gera os paradoxos! Por isso a realidade é fruto do trabalho mental e ela tenderá a ter os contornos de quem a observa e que escolhe o quê e o como observar.

A Visão Oriental Ideograma

No português escrito, as palavras são um encadeamento de letras que representam sons. O mesmo acontece com outras línguas ocidentais, como o inglês, o francês e o alemão, por exemplo. Na escrita chinesa, contudo, as palavras não são encadeamentos de letras, mas, sim ideogramas, isto é, desenhos que representam idéias.Esses ideogramas foram criados na China há cerca de três mil anos antes de Cristo, quando já existia uma língua falada. Cada ideograma referia-se ao sentido de uma palavra da língua falada e era, muitas vezes, o desenho simplificado da coisa que essa palavra designava. A lua, por exemplo, era representada pela metade de um circulo, com forma de meia-lua. Uma característica fundamental aos idiomas do sudeste asiático é que eles funcionam na base da comparação e associação de idéias, de modo a sugerir novas idéias. Assim, na língua escrita, o ideograma que significa sol, por exemplo, colocado com o ideograma que representa lua, da origem a um ideograma que significa brilho característica comum que se nota quando se comparam esses dois astros.

O ideograma que significa mulher, colocado debaixo de outro que significa teto, compõe um ideograma que significa paz conceito sugerido poeticamente pela idéia da presença de uma mulher dentro de um lar.
A escrita ideográfica é exclusivamente uma linguagem escrita, não tendo nenhuma relação com a linguagem falada. Os países do sudeste asiático possuem a mesma escrita. Então, todos (chineses, japoneses, coreanos, etc.) entendem da mesma forma o que está escrito, entretanto, cada país pronuncia o ideograma de uma forma própria e não é possível um chinês entender o que fala um japonês e vice versa. Mesmo não entendendo o que o outro fala, é perfeitamente possível um chinês e um japonês se entenderem mediante um diálogo escrito. Este sistema de escrita leva a um desenvolvimento cerebral diferente do ocidental. Para termos uma idéia, existem 16.000 ideogramas, ou melhor, o conjunto total de símbolos ideográficos compreende cerca de 16.000 símbolos. As combinações que daí podem resultar são infinitas. Além disso, a escrita sendo ideográfica é analisada primeiramente pelo hemisfério direito do cérebro. Depois, sua decodificação lógica processa-se do hemisfério esquerdo. Esta comunicação, via córtex, gera uma compreensão da realidade de forma muito subjetiva.Para nós, ocidentais a letra "A", é a letra "A". Não é um touro, não um símbolo do masculino ou feminino, é simplesmente uma letra. Associada a outras gera outros sons e não novos conceitos.

No início quando mostramos a frase "HOJE EU VI DEUS" feita só por sombras, foi um exemplo da objetividade de nossa cultura. Para os países asiáticos que usam a escrita por ideogramas, o conceito é totalmente diferente. Escrever um ideograma de cabeça para baixo, ao contrário ou associado com outro, cria uma idéia completamente nova e diferente das partes que a compõem.

Em um período de aproximadamente dois séculos a história registra o surgimento e ascensão de 3 líderes religiosos orientais que, pela similitude de seus ensinamentos, continuam influenciando o mundo até hoje: Confúcio e Lao Tse (chineses) e Sidharta Gautama (príncipe indiano), o Budha (iluminado). Religiões sem Deuses que pregam códigos de conduta, moral e ética e que, por sua interpretação dogmática do mundo real, se assemelham bastante aos conceitos quânticos de nosso mundo.
É impossível ao budismo de hoje, separar as influências de Confúcio e Lao Tse."A partir do momento em que o Tao (caminho) é conhecido, ele deixa de ser o Tao"."Samsara (o mundo fenomênico em que vivemos) é ilusão. O adepto só encontra libertação quando se fundir com a energia do todo".
O objetivo da prática Budista, nibbana, se diz que é completamente desprovido de causa e exatamente nisso existe um paradoxo. Se o objetivo é desprovido de causa, como pode um caminho de prática - que é causal por natureza - produzi-lo? Essa é uma questão antiga. O Milinda-pañha, um conjunto de diálogos composto no início da era cristã, relata uma conversa entre o rei Milinda e um monge, Nagasena, no qual o rei pergunta a Nagasena exatamente sobre isso. Nagasena responde com uma analogia.
O caminho da prática não causa nibbana, ele diz. Ele simplesmente o leva até lá - tal como um caminho para uma montanha não faz com que a montanha exista. Ele somente o leva até lá.

Dentro da visão quântica o texto acima se encaixa perfeitamente com o conceito de uma ciência probabilística. NÓS criamos nossa realidade a medida em que vamos perguntando à natureza como ela funciona.
Conhecem o jogo das 20 perguntas? Alguém sai da sala e os outros escolhem uma pessoa, objeto, etc. que tem de ser descoberto com 20 perguntas. A cada pergunta, os participantes só podem responder sim ou não. A pessoa que está fazendo as perguntas só tem uma chance de tentar descobrir o que os outros escolheram. O físico John Wheeler gosta de contar um fato ocorrido com ele que ilustra muito bem o estado peculiar de uma partícula quântica antes da medida. A história tem a ver com uma versão do jogo das 20 perguntas:"Então chegou a minha vez, o quarto a sair da sala de modo que os outros quinze convidados de Lothar Nordheim pudessem confabular em segredo para se chegar a um acordo sobre a palavra difícil. Estive fora por um tempo incrivelmente grande. Quando finalmente fui readmitido, encontrei que todos estavam sorrindo, sinal de brincadeira ou conspiração. Entretanto, pensei em tentar descobrir a palavra." É animal?" "Não". "É mineral?" "Sim". "É verde?" "Não".
"É branco?" "Sim". As respostas chegavam rapidamente. Então a partir daí as perguntas precisavam de mais tempo para ser respondidas. Tudo o que eu queria dos meus amigos era simplesmente um sim ou um não. Entretanto, o perguntado pensava e pensava, sim ou não, não ou sim, antes de responder. Finalmente tive fortes suspeitas de que a palavra poderia ser "nuvem". Sabia que tinha somente uma oportunidade para dizer a palavra. Aventurei-me: "É nuvem?" "Sim", disseram, e todos caíram em gargalhadas.
Explicaram-me que não havia nenhuma palavra no começo. Haviam concordado em não chegar a um acordo sobre nenhuma palavra. Cada um dos perguntados poderia responder como quisesse, com o único requisito de que devia ter em mente uma palavra compatível com a sua própria resposta e com as dadas anteriormente, pois de outro modo perderiam se eu cumprisse o meu intento. A versão surpresa do jogo das vinte perguntas era, portanto, tão difícil para meus colegas como era para mim".

"Qual o simbolismo da história? O mundo, uma vez criado, existe "mesmo", independente de qualquer ato de observação. Considerávamos o elétron no átomo como possuidor de posição e momento definidos. Quando eu entrava, pensava que na sala havia uma palavra definida. Realmente, a palavra foi desenvolvida passo a passo mediante as perguntas que eu fazia, como a informação acerca do elétron se faz existente pelo experimento que o observador escolheu realizar; isto é, pelo tipo de equipamento de registro que este coloca.
Se eu houvesse feito perguntas diferentes ou as mesmas perguntas em ordem diferente, haveria acabado com uma palavra diferente, assim como o experimentador teria concluído uma história diferente dos fatos do elétron. Entretanto, o poder que eu tinha de trazer à existência em particular a palavra "nuvem" era somente parcial.
Uma importante parte da seleção reside nos "sim" e "não" dos colegas da sala. De modo semelhante, o experimentador tem uma influência substancial acerca do que sucederá ao elétron mediante a escolha dos experimentos que realizará sobre este, "as perguntas que fará à natureza"; mas ele sabe que existe uma certa imprevisão acerca do que um qualquer dos seus experimentos averiguará, acerca de qual "resposta dará a natureza", acerca do que sucederá quando "Deus joga os dados". No jogo, nenhuma palavra é uma palavra até que essa palavra é promovida à realidade pela escolha das perguntas formuladas e respostas dadas.
No mundo real da física quântica, nenhum fenômeno elementar é um fenômeno até que seja um fenômeno registrado."


Os donos de circo têm uma tática muito interessante que adotam com os filhotes de elefantes nascidos em cativeiro. Quando eles são pequenos são atados com uma corda grossa a um toco de árvore firmemente ent no solo. Por serem pequenos, não conseguem se libertar e crescem com aquela corda atada em uma das patas. Depois de adultos não tentam se libertar (embora pudessem, com um arranco, destruir todo o circo) por que foram ensinados a acreditar que a corda e o toco são mais fortes do que eles

Nós também temos nossas cordas. Fomos ensinados a acreditar em um mundo sólido, previsível, onde o tempo é linear e separado do espaço.
A grande verdade é que a realidade não é o que parece. O cosmo não é um grande jogo de bolas de bilhar com estrelas chocando-se umas contra as outras em rotas e ângulos previsíveis. O átomo de Rutherford com um núcleo central como um minúsculo sol e os elétrons girando ao redor, quais órbitas de planetas e que, até hoje continua a ser ensinado nos colégios, é um modelo que não existe na realidade.
Temos que aceitar que matéria e energia são a mesma coisa.

O tempo NÃO é linear. Espaço e tempo não podem ser dissociados e formam um continuum; o universo inteiro é um processo probabilístico em constante mutação. Portanto, dentro desta nova visão do universo, nós também somos uma possibilidade probabilística de condensação de energia, inserida em um continuum quadridimensional, com os processos quânticos do universo acontecendo também em nossa consciência.
A matéria sólida que tocamos, na verdade é constituída de condensações que energia movimentando-se a uma velocidade tão grande que nos dá a impressão que solidez.

Voltando ao filme Matrix, no final, quando o herói olha para o agente Smith e vê o mesmo e tudo que o cerca como números e linhas de programação, ele deu o grande salto quântico e passou a enxergar a realidade. Naquele momento, Neo toma consciência de que está na cadeira e que tudo que o cerca é ilusão e não pode atingi-lo. Também nós, quanto mais nos abstrairmos da ilusão da realidade e da forma, mais estaremos em ressonância com a totalidade vibratória da energia do cosmo, que é a própria realidade.

E, acreditem, quem teve a experiência de ver o mundo como ele realmente é, em todos seus padrões energéticos vibrando em uníssono, nunca mais esquece esta visão. Mas, para atingi-la, temos que estar em um estado de consciência alterado, pois pelo princípio da complementaridade de Bohr, ou vemos ondas ou partículas.

E a nossa visão do dia-a-dia? E a realidade que nos cerca? E tudo aquilo que consumimos, buscamos, sonhamos, entregamos, recebemos, trocamos, odiamos, amamos, esperamos, perdemos, choramos, rimos, morrermos, vivemos?E nós?
Nós, somos feitos da mesma matéria que o universo, Deus e o Cosmo se reproduzem dentro de cada um de nós...

 

Free Web Site Counter
hit Counter