Em primeiro lugar, quero dizer que o prazer é meu de estar cercado de pessoas tão iluminadas.

Meu nome é Fernando Escobar, tenho 38 anos, sou Analista de Sistemas (com formação em Administração) e leciono Informática de nível médio
profissionalizante. Possuo dois livros escritos e registrados (ainda não publicados: v. http://escritor.home.sapo.pt).

Escolhi o nick Ginnungagap por amor à primeira vista. O que eu utilizava anteriormente, Júpiter,causava muito desconforto por já existirem outros “Júpiteres”. Lendo um ensaio sobre Mitologia Nórdica descobri o Ginunga, abismo (gap), o nada, existente antes da criação do mundo, ao registrar o e-mail no Yahoo, tive que utilizar o “_br” no final, pois já existiam “ginnungagaps” registrados.

Já passei por várias religiões como Catolicismo, Protestantismo (Igreja de Nova Vida), Espiritismo (tanto de Kardec quanto Africano) e fui ateu por 10 anos da minha vida. O tempo todo estudando e tentando preencher um vazio que me incomodava profundamente. Há dez anos, descobri a Wicca e o Paganismo com o qual me identifiquei de pronto e do qual na medida do possível procuro seguir a filosofia.

Ainda ateu, vivi uma feliz época da minha vida em que me baseava quase totalmente nas mensagens que meus sonhos me enviavam. Sem exagero, tomava decisões importantes (como fazer uma prova na faculdade ou não, por exemplo) com base em meus sonhos.

Anyway, hoje à noite, pretendo dividir com vocês um pouco do aprendi a respeito da incrível maneira de ver o mundo com o auxílio dos sonhos. Profundamente baseado nas idéias uma vez propagadas por Carl G. Jung (sugiro que todos leiam “O homem e seus símbolos”, que acredito ser a última obra deste grande estudioso não apenas da mente, mas da humanidade
como um todo.).

Ainda antes de começar, devo dar os créditos à amiga, psicóloga e “ minha professora” Sabina Vanderlei que ministrou o curso de Psicologia Junguiana, do qual tive a felicidadede poder participar e com o qual incrementei sobremaneira os meus, antes, poucos conhecimentos no assunto.

Por fim, sempre é bom deixar claro que não tenho a menor pretensão de esgotar qualquer assunto, repito, estou aqui apenas para dividir o que aprendi através de estudo e observação ao longo da minha vida, sobre esse assunto em especial, “O Mundo Onírico”.

Para falar de sonhos, acho que é importante falar sobre o sono e, aqui, não vou “inventar a roda”, copio algumas palavras do site www.sono.com.br.

“Os horários de sono e de vigília são em parte condicionados pela adaptação de cada animal.” Os que são mais adaptados a viver de dia, dormem à noite, e vice-versa. Na maioria dos casos, seus ciclos são de 24 a 28 horas, mas em alguns, pode alcançar até 50 horas. Na vida diária não ocorrem estas variações, pois,
além do sol, existem indicadores de tempo, como a hora de comer, de trabalhar e de dormir, ditadas pelo relógio, que forçam o organismo a seguir o medidor de tempo social.

Algumas pessoas podem perder-se destes indicadores e passar a apresentar doenças. Aposentados que moram sozinhos são um exemplo.Sabe-se que as pessoas com ciclos maiores que 24 horas podem sofrer mais ansiedade e ter dificuldades em levar uma vida normal. Estão se tornando conhecidos os problemas que sofrem os trabalhadores que fazem trocas de turnos e pessoas que não mantêm uma rotina regular. Acabam perdendo seus indicadores de tempo e desenvolvendo insônia e desadaptação (sic) de difícil tratamento.”

Os Estágios
Quando se inicia o registro, o indivíduo ainda está em vigília. O sono inicia com o estágio 1. Poucos segundos depois, ele avança para estágio 2 e em 20 minutos passa para estágios 3 e 4 . Estes são os estágios de sono mais profundo e por isso é tão difícil acordar alguém que adormeceu há pouco.

C i c l o s
Uma hora e meia após o indivíduo ter adormecido ele apresentará um primeiro
e curto período de sono REM (sigla de Rapid Eyes Moviment ou Movimento rápido dos olhos). Isto se repetirá a cada noventa minutos e a cada novo período o sono REM será mais longo. Pela manhã não surgem mais estágios 3 e 4 de sono profundo e os períodos de sono REM podem durar até uma hora. Por isso é mais fácil lembrarmos os sonhos da manhã.

Os sonhos ocorrem no sono REM e não devem ser necessariamente lembrados. A lembrança de sonhos exige que haja um despertar prolongado durante o sonho pois a memória só funciona após 5 minutos de vigília. Despertares podem indicar distúrbio do sono. Quem dorme bem tem um sono calmo e pode nunca lembrar de um sonho. O corpo sofre uma paralisia quase completa durante o sono REM que nos impede de "representar" os sonhos. Há um distúrbio em que um defeito desta paralisia do REM permite à pessoa representar o sonho, fazendo-a correr risco de acidentes. “

Os sonhos são importantes para nós, assim como o sono. Um sonho é uma mensagem de você para você mesmo, à grosso modo, é o “seu inconsciente” tentando chamar à “sua consciência” algo que você não percebeu e precisa perceber. Assim, o acordar pela manhã, principalmente após um “daqueles sonhos” longos e complicados (bons ou maus) deve ser algo sereno, lento e gradual, para que possamos fixar a mensagem que nos foi transmitida. O primeiro ponto que julgo pertinente destacar, então é: O sonho é uma mensagem particular para você! Cada símbolo, cada arquétipo (devemos tomar cuidado com essa palavra) que aparece tem relação a você e deve ser entendido particularmente no contexto da sua vida! O que estou dizendo? Que não há como “ligar” sonhos de duas pessoas? Que não há elementos comuns aos sonhos de duas pessoas? Claro que há, para as duas perguntas. A questão é que, quando falamos de sonhos, não podemos pensar “globalizadamente”, ao menos não radicalmente.

Por exemplo, ainda que se trate de um “ícone globalizado”, este deve ser contextualizado “localmente”. É como vender pães-de-queijo no McDonalds. É uma iguaria que não tem valor sentimental em Atlanta, mas tem um forte apelo em Poços de Caldas. Assim, continuando a analogia, é possível que uma pessoa em Atlanta sonhe com o McDonalds e uma pessoa em Poços de Caldas também, ambos pensando na globalização, mas o pão-de-queijo, se aparecer no sonho de alguém em Atlanta, terá um significado exótico, enquanto em Poços de Caldas, poderá ter um significado familiar.

É preciso, ainda introdutoriamente, falar um pouco sobre Carl Jung e “sua” psicologia. Não vou aqui entrar no mérito da relação de Jung X Freud, simplesmente porque está fora de escopo. Todavia, como a “psicologia” Freudiana está, digamos, sublinarmente incrustada em nosso inconsciente, cabe fazer uma separação conceitual, sem juízo de valor.

Enquanto Freud preconizava que o inconsciente pode ser totalmente absorvido pelo consciente, Jung declarou a consciência como uma “instância” do inconsciente, a “ponta do iceberg”. O inconsciente, para Jung, tem vida própria e engloba todos os elementos de nossa existência.

Nesse aspecto, Jung vislumbra a figura do “inconsciente coletivo”, uma espécie de “repositório” aonde ficam guardados todos os arquétipos primitivos do homem e os complexos que deles derivam, desde os primórdios da civilização.

Aí surgem outras divergências entre Jung e “mundo científico”. Uma vez mergulhado no mundo do inconsciente, Jung se aproxima perigosamente (do ponto de vista do status quo) do misticismo, do “conhece-te a ti mesmo” do oráculo de Delphos.

Jung explica, através dos arquétipos, os mitos e religiões, de uma forma tão natural que fica difícil acreditar no modo como a civilização ocidental conseguiu separar como água do óleo a filosofia, a religião, a física, a psicologia e enfim, as ciências e “não ciências” de modo em geral. Enfim, através de Jung, passamos a encarar os sonhos (e a consciência, quando acordados também) sob uma nova ótica.

Ele preconiza que os elementos que compõem um indivíduo, sua psique, seu inconsciente, seus arquétipos e complexos e o seu “tipo psicológico” estão sempre representados por pares de opostos que buscam constantemente o equilíbrio. Assim, tudo o que se manifesta na consciência, tem sua correspondência inconsciente que, eventualmente, quando reprimida pode vir a tona através comportamentos “fora do controle” do indivíduo.

Nossas estruturas psíquicas estão apoiadas em nossos tipos psicológicos os quais, por sua vez, se apóiam na forma como buscamos adquirir nossa energia. Resumidamente, existem dois “tipos de pessoas”: os Extrovertidos e os Introvertidos. Os primeiros voltam-se mais para o mundo exterior e os últimos para o seu interior. Ao contrário do que se pensa, para Jung, às vezes, o tipo que chamamos “extrovertido”, na verdade é introvertido, pois, ao não se preocupar com as repercussões de seus atos, a pessoa acaba agindo de forma “espalhafatosa” (num bom sentido).

Jung ainda nos fala num eixo cartesiano de circulação de nossa energia psíquica que compõe nosso tipo secundário com dois pares opostos: Intuição X Sensação e Pensamento X Sentimento. Para entender melhor os tipos psicológicos, sugiro que visitem os endereços que fornecerei ao final. Acredito que fugiríamos um pouco ao escopo do tema, se nos prendêssemos nessa análise.

Até agora, venho falando mais do indivíduo e de psicologia do que do “Mundo Onírico” propriamente dito, mas espero estar deixando claro que são matérias inexoravelmente ligadas e que um, o “Mundo Real”, chega a perder o sentido sem o outro e vice-versa.

É importante notar que o místico “Conhece-te a ti mesmo” aponta-nos o caminho para enxergar o mundo externo através do interno. Jung tem uma frase que utilizo em meu MSN (a propósito fcescobar@hotmail.com) que é “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda.”. Se pensarmos “com carinho”, veremos que não há “mundo externo”, tudo o que percebemos é influenciado pelas distorções de nossa estrutura psíquica.

Em Matrix, há uma passagem em que Morpheus pergunta a Neo: "O que é esta colher? Ela não passa de um estímulo nervoso captado por sua retina e enviado ao seu cérebro." Se pudéssemos acionar diretamente o nervo ótico de uma pessoa, faríamos com que ela visse(não apenas "acreditasse ver") uma colher. Anyway: “Quem somos?”, “Quem são os outros?” Tudo passa pelo “crivo” de nossa formação e, conseqüentemente, de como nos fica mais confortável assimilar um conhecimento. (Aqui julgo apropriado abrir um parêntese: Acredito que o fato de interpretarmos os mesmos fenômenos de formas diferentes e não tentarmos entender como os outros interpretam é um dos grandes problemas do homem ocidental, sobretudo.

Acho que cabe contar uma pequena história da qual tomei conhecimento através de Paulo Coelho é uma história sufi, se não me engano:
“O Senhor do Mal estava conversando com um de seus discípulos, quando um homem passou por eles, apanhou algo no chão e saiu sorridente. O discípulo perguntou:
- Mestre, o que aquele homem encontrou?
- Um pedaço da verdade. O Mestre respondeu.
- Mas, o senhor vai deixar o homem adquirir um pedaço da verdade?
- É o melhor que posso fazer, disse o Senhor do Mal.
- Ele vai se encantar com esse pedaço, criar uma religião para ele a não enxergará mais nenhum outro pedaço que aparecer na sua frente.”

É exatamente assim que eu penso. Vivemos dentro de um caldeirão semântico que nos afasta uns dos outros, enfeitiçados, cada um, de nós com nossos pedacinhos de verdade... (Fecho o parêntese)

Assim, para Jung, por exemplo, um sonho vívido, com cheiros, cores, sensações perfeitas, como se a pessoa estivesse acordada, é um sintoma claro de que, conscientemente, a pessoa reprime suas sensações, em prol de suas intuições. Encantado com “seu pedaço da verdade” ele sequer cogitou a possibilidade de uma manifestação consciente durante o sono, ou uma projeção astral, como preferem denominar alguns. O que me entristece é: se ficarmos discutindo se é uma projeção ou se é uma manifestação inconsciente de sensações reprimidas, não vamos prestar atenção ao que realmente importa: a mensagem do sonho!!

Eu tive uma espécie de guru, chamava-se Márcio Macedo, ele mergulhou profundamente no universo “Junguiano”, enriquecido por seus conhecimentos de espiritismo, emergiu com o conceito que eu utilizo até hoje do “Mundo onírico”. O sonho é sim uma experiência num outro plano, não apenas no plano do inconsciente pessoal, mas também do coletivo. Ainda assim, eu acredito, que essa jornada seja individual, na busca pelo encontro consigo mesmo,na busca do “Self”.

Anyway, voltando aos sonhos, a linguagem que o inconsciente utiliza é a dos símbolos. Estes símbolos representam seus complexos e os arquétipos, representam a melhor forma de lhe fazer entender a mensagem, por mais paradoxal que isso seja.

Ao analisarmos um sonho, a primeira pergunta que devemos fazer é: O que cada elemento significa para quem sonhou, em particular? Antes de tentar entender o contexto da sociedade ou comunidade. O segundo passo é buscar na sem ambiente social, passado, antepassado, à sua volta no presente, o significado do símbolo e trazê-lo para a realidade de quem sonhou. Confrontá-lo (o símbolo) com o tipo psicológico do sonhador. No seu ambiente...Em seus estudos, Jung identificou alguns arquétipos que compõem a estrutura da psique. E que se manifestam nos sonhos...

A PERSONA – que é uma representação externa de nós mesmos. Muitas vezes, quando nos vemos atuando nos sonhos, estamos vendo nossa PERSONA, isto é, o que as pessoas vêem de nós...

A SOMBRA – que é uma espécie de “parte inferior” da personalidade, é aonde aprisionamos os elementos que rejeitamos conscientemente. Um outro arquétipo que pode ser representado por nós mesmos.

A ANIMA, para os homens ou ANIMUS, para as mulheres – representam o “pólo” sexual oposto da natureza psíquica. Normalmente, quando uma mulher aparece no sonho de um homem é uma representação da ANIMA, por outro lado, quando um homem aparece no sonho de uma mulher é uma representação de seu ANIMUS. Para Jung, a função destes arquétipos é justamente estabelecer uma harmonia entre o inconsciente individual e o coletivo.

O aspecto da ANIMA ou do ANIMUS, indica a forma como a pessoa lida com seu pólo oposto. Isto é, com a energia oposta que circula dentro de si. Posso citar um exemplo pessoal, eu costumava, uma época sonhar com atrizes... Isso indicava, àquela época, que eu não considerava a minha ANIMA como uma mensagem real... digo, como uma entidade real. Que o meu "lado feminino" era para mim uma coisa fantasiosa...

O SELF – a representação da totalidade, da ordem do homem é, grosso modo, a união do consciente e do inconsciente, é a meta de todos nós, segundo Jung, a individuação. O Nirvana, o arrebatamento. Muitas vezes está associado ao Herói. Isto é, quando sonhamos com um “super herói” podemos estar vendo o nosso próprio SELF. Temos também, dentro de nós, o arquétipo do Mãe, afinal, todos têm uma figura que ocupou o lugar de mãe, não necessariamente de uma mulher. O arquétipo do herói, representado nas religiões pelo Messias, pelo “salvador”.

Aqui cabe uma observação: O Cristianismo, o Judaísmo e o Islã são as única religião em que o Pai se sobrepõe à mãe... Onde o ser criador é masculino...
Isso causa uma contradição que torna seus seguidores um tanto confusos. Anyway. Além disso, foi possível observar determinados símbolos comuns a todas as pessoas. Uma casa, por exemplo, representará tanto para o homem moderno, quanto para o medieval ou para o ocidental e para o oriental, a caverna, as primeiras casas, o útero da mãe natureza e, numa analogamente, sua própria personalidade. Quando se sonha com uma casa, está-se sonhando com sua própria personalidade ou com a de outra pessoa. Descer ao porão de uma casa, significa penetrar“fundo” na personalidade.

Um meio de locomoção, como um carro ou carroça, representa, por regra, o processo emocional. Quando você sonha que está num automóvel, com outra pessoa guiando, provavelmente, seu inconsciente está lhe dizendo que aquela pessoa guia seu processo emocional no momento. Evidente que o inconsciente não se manifesta apenas no sonho, isto é, não é apenas enquanto dormimos que estamos em contato com o “mundo onírico”. Um quadro pode revelar muito a respeito da personalidade de seu pintor, um texto, de seu escritor.

A todo momento, somos tomados por “intuições” que não sabemos explicar. Nosso inconscientepode mesmo se projetar e provocar o que Jung denominou “sincronicidades”. Acontecimentos “reais” que não nos falam diretamente à consciência, mas que, se analisarmos como um “recado do inconsciente”, descobriremos seu significado. Um exemplo, de sincronicidade, seria a aparição de uma coruja na janela de sua área de serviço. A menos que, aonde você mora, sejam comuns aparições de corujas, é claro!!

A PNL nos mostra que, nossos sentidos são incapazes de perceber tudo o que ocorre à nossa volta. Não percebemos por exemplo, os mais variados tipos de ondas que nos circulam, nas mais variadas freqüências e que só podem ser captadas por aparelhos como rádios, celulares ou TVs.

Uma escada, indica o caminho para a ascenção ou descenço espiritual. Dependendo de se você está subindo ou descendo... Salvo, se estiver dentro da casa, pois aí ela estaria envolvida pelo contexo da personalidade. Ainda assim, andar por uma escada dentro de casa poderá lhe dizer como sua busca está interferindo em sua personalidade. Fica importante notar o que se encontra ao final da escada.... lá estará a mensagem de seu inconsciente. A escada é um caminho, não um fim. Evidente que, como a estrada que (é de "domínio público") representa a vida. O tipo de escada poderá representar a sofisticação da sua busca. Anyway, nunca se deve perder de vista que uma escada num sonho pode representar.... uma escada.Para concluir e deixar o espaço para o debate, é importante frisar que não estamos conscientes de toda a informação que verdadeiramente recebemos,muito do que nos é “transmitido” vai direto para o inconsciente e este se esforça, principalmente através dos sonhos para nos mostrar aquiloque de mais importante “deixamos passar”.

Referências:
http://www.psiqweb.med.br/persona/jung.html
http://www.psiqweb.med.br/persona/jung2.html
http://www.ship.edu/~cgboeree/jung.html
“O homem e seus símbolos” – C.G.Jung
“Memórias, sonhos e reflexões” – C.G.Jung
“Dicionário de símbolos” – Jean Chevalier e Alain Gheerbrant.

 

 

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